quarta-feira, maio 21, 2008

MISTURA FINA


(esses meus sentimentos insanos de cujos ralos escoam e aos mesmo sujos escuros voltam)

O SILÊNCIO DA ANSIEDADE



Senta aí que eu tenho umas coisinhas pra te falar. Até pensei em mandar um e-mail, mas tive essa idéia de te querer deixar mais vulnerável. A verdade é que errei contigo, sabe? Errei desde o começo. Primeiro que, com você - pra você - foi muito fácil, eu não sou assim; dificulto sempre que posso. E eu posso com frequencia. Até cheguei acreditar que a culpa fosse sua, olha só! O fato é que eu nem nunca te achei bonito, nem um pouco senti alguma mera atraçãozinha e, no entanto, você veio, me abraçou, e eu quase dei um tiro no pé quando vi que já estava aceitando o teu beijo. O que tinha acontecido comigo? Tudo bem, calma, foi apenas um lapso - consolei-me depressa. Passou, continuei levando os dias normalmente. Foi quando te vi, naquele jogo, e me vi envolvida no seu jogo insconsciente, talvez. Me peguei constrangida, nervosa, envergonhada. Mal prestei atenção a que fui. Por que aquilo estava acontecendo? Olha, já vou te avisando, eu não era assim não! E por que você tinha que ter ido falar comigo piscando daquela maneira, e pior: por que depois fingiu que eu nem estava ali? Pronto, dias me torturando. "Não, não, ele não quer mais nada..ele falou comigo e fez aquilo porque...Por que fez aquilo?". Nosso amigo me dizendo: ele é estranho mesmo. Adicionar nesse negocinho de conversa instantânea? Não! Isso seria o pior dos ferimentos ao meu orgulho e dignidade. "Se ele quisesse teria ido falar comigo, não?". Pronto, de novo lá estava você me fazendo agir sem perceber, e quando vi, lá estava o seu nome irritante e pretensioso na minha lista de contatos. Maldito! Como pôde?! Mas e agora? O que eu diria? Pronto, já disse. Três, quatro conversas. Sempre eu. Sexta a pergunta: vai fazer alguma coisa hoje? Você perguntou, então fui legal em fazer o convite, e você não foi legal quando respondeu com um "legal". Sem sim, sem não. Não, mas não pode ter sido um não. Ou pode? E quando eu vi, sem querer acreditar, estávamos já naquela rede. O que estava acontecendo de novo? Por que você tinha que ir? Pena? Não tinha mais nada pra fazer, né. Tudo bem. E não tinha nada pra fazer no sábado também? Não devia ter ido. Se não fosse, bom, eu não estaria assim. Como assim "assim"? Olha, conheci alguns caras antes desse seu irresistivel topete de cínico, alguns românticos, outros bonitões - e pra caramba, alguns mentirosos, alguns fracos, outros bons. Por alguns senti desejo, paixão. Por outros ternura, afeto. Mas por nenhum senti essa...essa...coisa. E quando você me tocava, de leve, no braço, eu ficava nervosa e tensa e assustada. Nenhum tinha os dedos tão quentes nos meus. E o meu? Qual era o MEU problema? E domingo, finalmente, o fim do sonho, um vazio me enchendo de forma que a mágoa queria se transformar em gotas, que chamamos lágrimas, pra tentar extravasar aquilo tudo de alguma maneira. Como sou tola, era óbvio, eu não era nada. E naquele bar? Por que tinha que estar naquela droga de bar? Minhas pernas avisando que talvez não suportariam o resto do meu corpo. E por que eu não podia me mover? E meu estômago? Por que revirava daquele jeito? Eu tava suando? Não podia ser. Eu nem estava com calor! E por que não consegui te olhar? E falar com você, depois. Como?? E aquele teu riso, meio envergonhado ou foi minha impressão? Eu não deveria ter ido? Ou será que deveria ter ficado? O que falei de errado? Do que afinal você tem medo se eu sei que você ia me bastar? Eu entendo, você quer preservar tua liberdade, e eu quero a minha também. Então, qual o problema? Sem compromisso. Por mim estaria simplesmente ótimo se eu soubesse que a cada vez que nos víssemos não fosse a última. E pouco me importava quando fosse a próxima. Me importava a certeza de que ela viesse. Só que não vai acontecer se você não quiser. Se quando estamos juntos você nem mesmo chegava a pensar em querer ficar um pouco mais, Se pra você sou indiferente. Se não provoco em você nenhuma sensação indesejada. Então me olha bem no fundo dos olhos, e diz que não está louco pra me beijar nesse exato momento e eu vou embora. E você não mais ouvir falar de mim. Mas eu preciso que você me diga, preciso saber de você pra querer saber de mim e do que faço com essa mania insana de você, por que agora é assim comigo. Então vai, me diz, olhando nos meus olhos. E é melhor dizer qualquer coisa, por que se silenciar, eu te beijo, aqui mesmo. Se não me olhar, te beijo. Se me negar, te beijo do mesmo jeito. Porque eu nunca disse que eu não ia sentir você uma última vez antes de desaparecer.



HARMONIOSA DESPRETENSÃO



Começou assim, com uma conversa, e depois de uma noite lá estava eu. Procurando - ansiosa - em meus pensamentos a previsão do que seria aquela tarde. Bom, andava engarrafado o trânsito de seus indefiniveis pensamentos nos últimos dias; a certeza da mudança, de certa forma, a abalara um pouco. Irônico. Tanto quis, como sonhou sair dali, e agora, que era certo que o faria, não sabia bem se era aquilo mesmo. Medo, por certo. Por isso a proposta de passar um dia na praia, sem custo algum, caíra-lhe perfeitamente; a praia lhe dava isso, essa convicta sensação (ainda que aparente) de que tudo estava bem, e que tenderia a melhorar. Passara a viagem toda em silêncio, sabia que o motorista tinha notável interesse na amiga. A notabilidade estampava-se no jeito que sorria, e agia, e olhava. Deixou, portanto, sua tagarelice de lado, pra deixar que pudessem conversar a sós. E foi bom, foi muito bom: podia apreciar a paisagem sem ser arrancada de seus devaneios inúlteis, sem precisar fingir interesse na conversa, sem precisar pensar em respostas. Estava, antes, um pouco angustiada sem saber o porquê, mas a medida que o sol aparecia, e a sombra das nuvens ameaçadoras ia ficando tão para trás quanto suas melancolias foi tendo a certeza de que as coisas eram exatamente como deveriam. Parece que a amiga encontrara alguém legal, e sentia como se aquilo viesse a perdurar; parecia que ela, sozinha, ia ser muito feliz. Parecia que ia dar sempre tudo certo. O resquício de sol, que foi aumentando, oferecia um brilho inenarrável a uma espécime de mangue, cuja magia era reforçada pelo verde brilhante, e pelo azul cristalino. Já na rua estreita pela qual passaram logo mais, o sol atuava com força e destreza, e não relutava em emitir sua luminosidade intensa e vibrante na paisagem. Folhagens da beira da estrada lambiam os vidros do carro, e a areia branca já podia ser vista, bem como o vento - peculiar do local - ja podia ser constatado. Estavam no lugar certo. A cor do mar foi-lhe inexplicavél, devido a falta de cor: não era apenas azul, ou apenas verde; mas feito de matizes de todos esses tons, constratados com as pedras cinzas e amorfas na água e na areia encrustadas. Registraram tudo que puderam. Não poupou também sensatez: fazia sempre esforço pra ficar distante dos outros dois. Voltaram ao carro, agora iriam conhecer uma outra área, mais conhecida, mais movimentada; a mesma água limpa, a mesma areia pálida. O mesmo céu. Mas acompanhados de um pouco mais de luxo, se é que era possível mantê-lo naquele clima leve de praia. De férias. Não pude definir um momento de climax, cada segundo fora o ápice, e cada momento era o melhor. Depois, olhos verdes, um certo charme de quem só quer sorrir. Simplicidade, cuca, croquete e guaraná. Ganhara uma máquina de escrever que lhe seria útil, a prováveis amizades. Publicá-los? Se possível. Com certeza retrubuiria. Obrigada - diria.



BONANÇA



Seus olhos flutuaram por sobre os dele, ela e seu sorriso largo lhe disseram: por mais que eu saiba, é sempre uma surpresa poder te ver. Ele sorriu jocosamente, um sorriso que homem algum saberia dar, e que ficava quase irresistível com o queixo de branda, mas perceptível, sobreposição. "Bom, talvez eu até possa dizer o mesmo" -- com seu disfarce inconfundível de pretensão que ela bem sabia ser um escudo: ouvir como ele estava se sentindo diante de determinada situação era-lhe sempre um dogma terrível, mas sentia sempre como se fosse um gelo quebrando-se quado conseguia. De feições pequenas, mas expressivas; os olhos instigavam-na quando, principalmente, mostrava ares de cachorro cabisbaixo; o sorriso leve no canto da boca denotava, em vezes que ainda não entendia, uma alegria triste, quase como que tentando disfarçar o sentimento dos olhos. Em seu rosto não havia fortes traços masculinos como havia na maioria daqueles que a encantaram de alguma forma, não; era um rosto simples -- podia dizer -- arrendondado. Mas seu corpo inteiro a atingia de uma maneira brutal, perigosa. Lembrava-se agora, nitidamente, de quando ficava observando-o de trás -- o que pareceria incompreensível para boa parte das meninas que não compreendiam o interesse da atitude -- gostando da forma como seu pescoço tirava sua aparência de garoto, largo, e curto; da maneira como o contorno dos ombros largos lhe caía bem e parecia chamá-la para, entre eles, se aninhar. Suas mãos...Ah! Adorava mãos, e as dele eram diferentemente atrativas; macias, dedos longos e redondos nas unhas (levemente tocadas com um brilho incolor de esmalte, e sempre, sempre bem cuidadas). Cuidava de sua aparência, notável. Os braços que, embora escondidos por detrás da camiseta, desenhavam seus músculos de ultrajante toque. E até mesmo a cor de sua pele parecia-lhe tentadora; uma espécime de leve bronzeado permanente, que oferecia-lhe um tom dourado. O cheiro então...inconfundível. A verdade é que seu todo lhe atraía de maneira abrupata: sua personalidade dificil; seu caráter misterioso -- mas ela sabia, bondoso; seu jeito ora debochado ora carinhoso de falar-lhe; seu leve toque; sua sofisticação; e até sua arrogância tentadora, desafiadora. Lembrava de como tinha sido bom aqueles três dias; do abraço que ganhara antes do beijo (e ficava tonta se tentava descobrir o que fora melhor), do outro beijo de esquina que dera-lhe antes do terceiro e último dia juntos -- atrevido, dominador, mas doce. Lembrava-se de como havia ficado espantada quando ele a beijou ali, na frente dos colegas. E de como havia ficado ainda mais surpresa quando ele passou a rejeitá-la, a partir do dia seguinte. Já não podia entendê-lo. E aí sentia um profundo desamparo se começava a lembrar de todo o resto. O jeito como tratou-a em seu aniversário, como que pedindo arrego; sua sinceridade em revelar a ele, brevemente, de seus sentimentos; seu aparente assombro, sua afirmação dele: vou pensar. A sensação de estar sendo enrolada, de que tudo tinha sido uma grande farsa. Ficara então com raiva, raiva por ter sido tão ridiculamente enganada, de ter desejado acreditar que por um instante não o fora. Por trás da raiva, uma certa dor. Disse-lhe que não queria magoá-la, e que também não queria sair magoado; ela, agressiva, retrucou-lhe que não permitia a ninguém a intimidade de temer por ela. Ele assentiu, entretanto seu comportamento foi se tornando ainda mais hostil e ríspido. Ela começou a namorar. Ele já nem dirigia-lhe a palavra, a não ser para, vez ou outra, mandar-lhe calar a boca grosseiramente, ou para debochar de algum aspecto obscuro da personalidade. E depois, um pousar de alegria incrível quando, depois de tudo, passou a acreditar o quão o sentimento tonara-se especial. Quando ele cantou-lhe disfarçadamente e foi flagrado pelos amigos -- zoando-o como todo bom amigo, quando ele pareceu intimidado e sem reação ao vê-la tratando-o com atenção, quando como ele, inconscientemente parecia querer ficar perto mas cessava rapidamente quando percebia, assustado com os próprios movimentos, sua proximidade. Passou, então, a desejá-lo com força, queria poder abraçá-lo; desejava ardentemente - uma ardência que doía de tão ansiosa - seu abraço protetor e aconchegante que não encontrara em braço algum depois de seus pais. Queria suas mãos tocando-lhe levemente o rosto, seus dedos perpassando cada detalhe da face. Ah! Como queria. Queria seu jeito dócil e ameno de outrora, o jeito que conhecera e que a fizera se embrenhar por sentimentos que tanto renegava. Agora ele estava ali. Sorrindo. Sorrindo apenas para ela; como se, finalmente, por algum momento, pudessem pertencer-se simultaneamente. Jogou a mochila no chão e abraçou-a do jeito como tanto quis. Seu abraço, sempre inesquecível. Seus momentos, sempre tão silenciosos e significativos. "Vamos? Temos um certo longo caminho a frente." -- admirável liderança, vez ou outra. Abrira-lhe a porta -- encantador cavalheirismo, pegara-lhe as bolsas todas. Deu a volta, sentou-e ao seu lado como o mais contente dos cansados, olhou firme pelo vidro, como que perdendo-se em seus pensamentos (o que deixou-a assustada, com medo do que lhe passava), virando em seguida para sorrir, um sorriso dizendo: estou muito feliz de estar com você, prometo que será bom estar comigo também. Movimentos rápidos, manobrou, ligou o som. Ele sabia que ela gostava daquelas músicas: cuidara de tudo com atenção -- refletiu. Foram, absurdamente quietos, simplesmente não precisavam emitir som para entenderem-se -- não sempre. Depois de tanto tempo, igual. Algumas horas depois chegaram, ele tomava banho enquanto ela ajeitava tudo e preparava algo gostoso para comerem: queria que fosse tudo especial. Levava uma lasanha feita em casa que só pedia para ser assada, um vinho que o agradaria. Tomou uma ducha rápida, entremeando-se no vestido de caimento leve e sensual, azul claro, estampado, curto. Esperaria na sacada, olhando a noite. Assim estava, com o vestido esvoaçante, bem como os cabelos; pensava em como sentia-se bem, quando um toque afirmou-lhe que ficaria ainda melhor. Um toque quente, em cada ombro. Mãos que deslizaram por seu braço, braços que encontraram seu desfecho na barriga. Põs-se ao seu lado, ainda enlaçando-a entre o seio e a cintura, falando-lhe num sussurro: acho bom irmos, alguém fez uma lasanha que parece deliciosa; temos a noite toda para observarmos a lua. Ela olhou, como que questionando-o divertidamente, mas ao mesmo tempo séria, como que duvidando de verdade: parecia tão bom. Bom demais pra...bom demais pra durar. Ganhou um novo abraço, tão gostoso quanto os anteriores. E sentiu com certa raiva, lágrimas rolando-lhe pelo rosto; puxado por ele que dizia: ei, ei, desculpa por tudo, vai ser diferente agora, eu prometo. Ela sabia, por isso chorava. Enquanto ele aguardava uma resposta, uma atitude qualquer, impulsivamente ela beijou-o. E foi em sua frente, sem dizer palavra. Ele alcançou-a dando uma corridinha calma, e jogou o braço em seus pescoço. Sorriu para ele, dialética.



VERDADES CEGAS



As vozes da cozinha tornaram-se apenas sons dissonantes perto do sim verossímel parecendo imitar o tiquetaquear do relógio. Esse, por sua vez ressoava dentro de algum campo vazio de sua cabeça. Era meio-dia, e por algum motivo - que não lhe importava, na verdade - não sentiu fome. Apenas uma vontade irrevogável de obedecer seu corpo, que pedia, desesperadamente, por repouso. O jornal já começara, mas perdia atenção para os latidos insistentes da cachorra, ela sempre latia por um bicho qualquer. Um rato, um sapo talvez. Felizes eram os sapos, que apenas se preocupavam de saltar poça a poça. Deixar livre seus girinos, e essa coisa toda. Não pensavam; não entendiam, portanto, na crise da ordem mundial, nos problemas de inversão de valores, nem nos sentimentos não correspondidos. Pobre seriam, porém, se por um único dia, fossem capazes do racionalismo. Quereriam a fraqueza do pensamento por toda sua eternidade. E ao mesmo tempo que descobriam de suas existencias não eternas, deixariam das divagações desse pitoresco detalhe para pensar sobre outras coisas da filosofia e da vida. Cruel é esse tal racionalismo: torna seus dotes tão fortes, a ponto de mostrar a pequenez dos homens, pobres seres que dela se utilizam. Ao mesmo tempo, envoca-os a ousar, o bastante para acreditarem que algo pode ser mudado. Depois inventam um Deus, quando alguns desistem de acreditar ter poder. Passam a evidencia-lo como a unica coisa capaz e viável de ter criado tamanha sincronia entre as coisas da natureza. Pode ser, pode ser...mas daí a considerar-nos tão ínfimos a ponto de nos conformarmos com cada coisa, é outro extremo. É necessário, ao homem, mais que humildade. A ele é necessário o esclarecimento de Kant e a metáfísica indispensavelmente complexa e útil de Voltaire. Da mesma forma que o radicalismo religioso é regredir, a convicção científica é apenas uma tentativa infantil de escapar do tradicionalismo, esquecendo-se de manter os fatos lógicos que, mesmo sem querer, esse expõe.



CRUELDADE RELATIVA DA VIDA



As unhas crescem os cabelos caem as pessoas nascem os pêlos voltam os amores morrem
Os cabelos crescem as unhas nascem Os amores voltam Os pêlos caem as pessoas morrem
os cabelos voltam os pelos cresem as unhas quebram os amores caem e as pessoas continuam a morrer. Amores choram, verdades caem Vontades voltam(malditas vontades)
amores caem vontades choram mentiras findam verdades voltam
e as pessoas morrem...morrem, só morrem porque elas nascem crescem, caem, choram voltam, mas sempre sempre voltam a morrer
A vida chora a morte nasce as pessoas caem
os cabelos choram os pêlos findam os amores quebram
e nasce sempre a alegria nova vida (morta)
a vida acaba e essa verdade jamais chora





ERRANTE



Por certo não imaginou que seria pra tanto, mas era. Evidentemente que não pensou que seria pouco...mas aquilo lhe pareceu um pé no exagero, e ainda que não quisesse parecer insenssível, não queria mais brigar, eram dois estranhos conversando sobre um sonho que acabou, ela lhe disse, que não era um bom final, e que ao menos merecia ser olhada nos olhospor aquele frio e masculino desprezo mágico. Ela foi homem na relação:jamais se envolvera de verdade com alguém, e seu interesse no sexo oposto era extremamente feminista, até egoísta talvez...uso e desuso. Mas era só pra preservarsua paz amorosa. Bem, quando o conheceu, foi tudo o que ela teve sempre certezaque não existiria. Doce, carinhoso, cavalheiro...Parecia gostar dela de verdade.E ela se entregou por inteiro, como jamais pensara se entregar. Foi sincera em todos os momentos, e jamais disse 'eu te amo' não por frieza; era por demais carinhosa, mas por que não queria feri-lo com um engano sentimental. Achou uma atitude responsável.Ele não, foi logo dizendo que amava...Talvez ele tivesse confundido, não que tivesse feito de propósito, para iludi-la, mas simplesmente não foi maduro o suficiente para entender que certas coisas não se fala sem ter certeza. Agora ela não queria mais nada, nem tinha ódio, apenas decepção. Foi tudo tão impessoal, blasè. Suas palavras lhe doíamcomo estacas, e nas duas primeiras semanas, era so falar de tudo que chorava.Justo ela, tão dura, tão racional. Caíra numa cilada dessas. Mas levantou rápido, e considerou cômica a irritação do outro ao ler a opinião delasobre tudo. Foi só uma boa lição. Mas ainda assim, ela vai sempre tentar, sempre acreditar. Mesmo que não queira, percebeu sua sina feminina de ser boba pra sempre.Mas não é disso que vim falar. É sobre as besteiras da vida: nascer, viver, morrer. Toda essa ordem cronológica sem nexo parece tão alheia ao mundo em que sintia viver. E a hipocrisia? Maldita. Não se tem preconceito, mas se odeia os que tem, então, não é de direito de cada um ter as concepções que bem enteder? Não se está em plena liberdade de expressão? E a democracia? Utopia alienante. Não só as políticas de direita...veja as outras. Comunismo. Impossível. O homem não resiste ao poder, assim como não resiste ao amor, ambos estão ligados a mesma coisa: o desejo, a vontade insaciavel de alguma coisa. Ser profissional cansa, e ser amador é inutil. Aquele sol, aquele azul...os cantos. Nada combinava com seus pensamentosobscuros, e com sua solidão falsa e secreta. As páginas amarelas daquele livro lhe lembravam tardes antigas...dragões bons de sua infância, contos de fadas estranhos. Mas a moça arcaica que fazia sua leitura bitolante na capa de um José de Alencar foi-lhe próspera, mas angustiante. Frustrante. De nada recordava as princesas de amores intensos e castelos de outrora. Não conseguia pensar como as fêmeas puderam ser tão submissas às palavras de uma sociedade e de seus homens medíocres. Era como se elas mesmas não existissem. Mas afastou aquele pensamento de revolta, lembrou-se da louça velha na pia, da sujeira impregnada no fogão, e da voz estridente de sua mãe dizendo que queria tudo pronto quando retornasse. Já havia passado uma manhã. Estava tudo lá. Lembrou dos livros que precisava ler, do quarto que lhe foi mandado arrumar, das roupas do lado do avesso e amassadas no sofá, do chão e dos armários empoeirados. Talvez se limpasse, sua vida também fosse um pouco organizada. Ficou desanimada; logo, feliz. Pensando nos olhares da ida ao mercado: quando menos se arrumava, mais chamava a atenção. Poderia ser esse o segredo, a indiferença. Esquecera aqueles devaneios sutis; sentiu os olhos pesados, aquele clima parecia o de verão, o momento então; depois do almoço. Era quando lhe dava mais sono, moleza, até naquele dia, em que não havia almoçado. Quis deitar na rede da sacada, mas lembrou da bagunça. O comodismo falava mais forte nessas horas, não pensava que se ordenasse o tempo para deitar e descansar seria maior, pensava apenas que queria deitar e descansar independente das implicações que esse desejo resguardava.



LÓGICA



Conheço a textura dos teus lábios de mel, mas não lembro de saber sobre teus beijos de amor; isso nos torna urgentes. Sei das tuas palavras de sátira, mas ainda não fui capaz de entender a clareza dos teus sentimentos. Isso nos torna amargos. Sei, portanto, de beijos, de ironia e amargua mas já vi teu carinho e tua acndura. Isso nos torna necessários. Sejamos então, sejamos mais, antes de amor, beijos, urgência; antes de ironia e sentimenos incompreensíveis. Sejamos reais. Não há mal algum na sensatez, nem sancide alguma no desejo da realidade. Sejamos sempre.



FRAGMENTOS DE UM CADERNINHO AZUL



Cá venhamos, um pouco de cobiça e ambição fazem-se precisos na fuga de hipocrisias cotidianamente metódicas. Os olhares tornam-se secos quando se tornarem dúbios os amores. As verdades tornam-se mitos quando se torna fato as mentiras...e os desejos? Ah! Esses tornam-se raros quanto mais extingui-se a capacidade de seguir apenas o instinto, dos mais puros aos mais primitivos. A felicidade, no fim, é diferente da luz; se transforma em inexistente se no inicio é intensa e fácil. As coisas belas são inúteis na inspiração do poeta torto...O que diz o amor perfeito para a tinta que o descreve senão essas coisas todas já cansadas de existir pra quem está cansado de faze-las existir? Ou pior, pra quem já não acredita em sua existência. O que dizem todos as outras? A alegria é comum, já a dor e o sofrimento, são diferentes em cada um. E é o sofrimento que torna tudo mais fascinante, mais...teatralmente poético. Todos alegram-se da mesma maneira: sorrindo. Mas não são todos que choram ao entristecer-se. Aí a beleza do não, do amargo, do nunca, do difícil, do marrom. Eis a beleza do velho, do ontem, do amor não correspondido, das verdades em vão, das paixões esvaídas com fim do verão. Eis o belo do feio, do pecado, do errado. É essa emoção incomparável de errar pra poder acertar e o risco de não conseguir que nos leva, todos, aos que negam ainda, á loucura; que nos leva, todos, aos que fogem ainda, ao êxtase mais deliciosamente profano.







UMA OUTRA PARTICULA LITERÁRIA (dessas quaisquer)



O espectro da verdade não dizia nada. Envenenou-se então com sua própria dor.
Embriagou-se com aquelas coisas todas...O frio, a fome, o seco, e o amargo; mas eles simplesmente não a atingiam mais, como se houvesse uma imunidade estática, crônica, permanente em sua alma frívola e tristemente cética, com a qual ela colaborou obedientemente na criação. Suas verdade não diziam mais nada a mais ninguém, ela mesma não se sabia mais. Eram somente restos daquela indiferença cruel que despontou por detrás dos olhos intangíveis, que se mutacionavam, tornando-se cada vez mais animalescos.Olhar naqueles olhos era como se embrenhar pelos lençóis dos mistérios da morte.



MORTAIS (BANAIS) BATIDAS



E partia na despedida a fatia se ia e se partia
e partia dali e sentiu nostalgia
e a fatia fingia, e dava um tchau de sarcasmo e um suspiro de ironia
e quem ficava sentia, e aspirava a vontade de provar uma fatia destruída acabada, devorada, degustada e vomitada.
e ia, ia a fatia sendo comida por outra vadia,
e não podia, portanto, destruir a fatia, porque a fatia jamais, não seria sua, nem para ser degustada, nem para ser vomitada.
e vomitou a partida, a partida de seu coração, e não sentia a batida, e morreu, morreu na batida.



AMENIDADES



Como se a música suave e docemente tranqüilizante não combinasse com as buzinas agitadas e irritadas - oriundas do caótico congestionamento daquele dia chuvoso – sorriu-se. Sorriu para dentro, para sua própria alma e estado de espírito. Estava ansiosamente inquieta. Tal que não podia segurar tanto dentro de seu próprio peito, como se nele - e talvez um pouco mais abaixo - houvesse mariposas tão irrequietas quanto ela, que provocavam uma buliçosa e, incrivelmente, adorável sensação nas paredes de seus intestinos. Absorta em seus rudes, e ainda assim, dóceis pensamentos sobre como seria dali há uma semana (um pouco mais, na verdade). Não parava de se esforçar para controlar suas quase infantis expectativas. (...) Sabia que algo muito ruidoso estava por vir, isso lhe causava uma sensação estranhamente estrepitosa de alegria quase eufórica. E tentava evitar tantos pensamentos retornando a sua leitura. Bobagem, a garota do livro também parecia querer persuadi-la sobre o fato de não ter como lutar nesses casos. Há apenas como se conformar, e isso ela já sabia como fazer: vinha fazendo-o há meses, desde que entendeu seus próprios sentimentos, que antes expurgava com tanta fúria e repudio(...)Era branco, corpo pouco rijo. Sua mão nem mesmo era das mais bonitas e másculas. Aliás, seu jeito todo não era o de um homem feito. Era o de um menino. Alguém cujas necessidades de homem adulto não haviam ainda aprendido a lidas com as antigas, de garoto. E não sabia bem afirmar com certeza ser esse, também, o motivo de sua vil fascinação. (...) Sentia a ferocidade brutal do buraco, uma peça rebelde, que escapou do jogo; e ela realmente acreditava ser ele essa peça, ou porque era, ou porque era assim que devia ser.



O BOM DO METRÔ



E o bom do metrô era esse ele sempre voltava sorria sempre. O boom do metrô era o bom, o bom que instigava, o bom que criava, o bom despertava as mais frívolas lições de amor.
E o bom não negava, sabia ser bom, e o bom esfregava sua falta de bondade, a maldade esfregava o bom. E o bom era mal. E sorria sacana, e pedia pidão, e conseguia, e não usava jargão. E era só seu, e não queria ser de mais ninguém, e não era E amava a praia, e as coisas vazias E amava o amor, todo mundo amava. Amavam o bom. E bom, um dia, chorou chorou de amor, do amor que não tinha Do amor primeiro e verdadeiro que sentia E negaram-lhe o bom do amor. E Bom ficou mau, mal de amor. E, bom, pedia, Bom implorava, provava, de tudo fazia E o amor lhe negava, negava-lhe a sorte de entregar-se de amor. E Bom só chorava. E...bom, se jogou da mais alta janela, e Bom se cortava, e foi bom para ele nem mesmo morrer, sentir o malvado do amor corroer-lhe as entrenhas. Foi bom para Bom a paraplegia e as cicatrizes, porque Bom aprendeu que melhor e mais forte que ele era um amor não recíproco, o único que realmente amara. E quando o amor soube que Bom já não tinha ninguém, e que ninguém mais enxergava o bom de Bom, procurou-lhe para contar que agora o amaria, e Bom ficou bom, bom de amor.



PROPOSITOS DOS SEM AMOR



De propósito fazia. sabia, sabia...
De imediato olhava...parava, sumia.
De longe queria, rapidamente queria, esquecia...rapidamente esquecia.
E pedia, pedia, pra incomodar pedia.
E tirava, tirava pra mostrar que sabia
E depois sorria, sorria pra bebida quejá não tinha.Bebeu, bebia, bebera toda a bebida
E gritava e falava, sem sentido expressava.
E embravecia-se ao notar quenão afetava Era mentira, mas fingia, fingia...
Tonto, acreditava. E não sabia por que lá não estava. E da falta de TV reclamava, e da falta de amor atrapalhava amantes.
E bebia, bebia...E dormiu, e não viu. E sumiu.



E VOLTAVA...E PARTIA...



respirava das suas costelas em lembrança, em sonhos.e em sonhos sonhei furtivamente por bobagens românticas. e em vida vivi disfarçadamente meu sonho, e em morte morrerei,
morrerei com meu sonho e vestida de sua nudez eu perdia, me perdia em infinitos rasgos
e feita de luz eu fazia, fazia do furo um estrago da espinha o esfolado.
e eu pedia, pedia. pedia pro nada, pedia vazia, pedia a fuga, fingir nostalgia, fugir do vazio
e eu gritava, gritava calada, e ninguém mais queria, ninguém mais sabia, porque eu calava.
e eu ja sabia, era o fim acabava e eu desistia, desistia da vírgula desistia de nada.
da verdade fugia, o vazio eu negava da furia eu partia, e partia pro nada.
e o nada voltava, e o nada queria, eu nada queria, queria o nada.
vinha do nada, ao nada chegava, amava a partida, dividir de soslaio aquela alma vadia.
e eu invadia, invadia a favela, e aplaudia a donzela que pro macho sorria
e pena sentia, da pobre gazela, que pro homem doava seu mais puro amor.
a roupa marcada a testa amassada a alma suada
a vida maçante a bola da vez, o chute da hora o jogo partido a derrota na cara
dor ja não tinha raiva não tinha não tinha amor o amor da donzela não tinha o amor que a gazela não tinha. matou, matou de pudorpor favor, matou; matou por culpa o amor (por culpa do amor)
de propósito matou mal matado, pra saber se verdadeiro era e tão grande voltou.
e chorou, e não podia matá-lo. e não pedia favor. implorava cansada que cessasse o amor
e a estaca atingia o peito de dor não era do macho não era o peito do homem que não amou
era seu próprio peito que descobriu ser aquele, o peito, donzela, e morreu por amor.



UM BOM LAR PARA O SEU EGO



Vivia ali, só, é verdade, porém, nem tanto...Com o pio gentil dos pássaros logo de manhã, com o uivar selvagem dos cães velhos, ferozes, e abandonados que rondavam a região – tão ferozes e abandonados como ela...que rondava tão perdidamente quanto eles. Gostava desses tais cães, e os cães talvez gostassem, um pouco, dela também. Dava-lhes comida e afeto, camuflado em apelidos grosseiramente carinhosos, quando deixavam algum rastro de calor naquela casa que não ousava chamar lar. Com uma única frente, aquele sobrado era-lhe suficiente: um quarto escuro que raramente usava para dormitar (porque raramente deitava-se com esse intuito), um espaço inferior, depois da escadaria, que dividia-se entre sala, cozinha, e uma imitação bastante precária de um banheiro. Seria boa ainda mais, se não fosse a decoração chula, inexistente na verdade (chamar qualquer coisa ali de decorativa, era ofender qualquer decorador que se orgulhasse de sua profissão). Paredes rachadas e inconsolavelmente cinzas evidenciavam a negação a qualquer cor; chão sem tapeçarias, cama sem lençóis...já para o sofá, rasgado, havia uma explicação sentimental, lembrava-lhe o falecido gato da família. Talvez, se não fossem tantos infortúnios e descuidados propositais, pudesse oferecer mais animosidade às poucas, e sempre, únicas visitas. Poucas porque não conhecia quase ninguém; únicas porque a sensação de cada visita, é de que, com certeza, aquela a última.



UM NOVO E AINDA MAIS RUDE V



Porque sempre descubro sobre coisas desagradáveis e acabo comprovando aquela velha história do "quem procura acha". Coisas, aliás, geralmente sobre você. Tudo bem, tudo bem, não tenho direito de julgar. Mas você não é a mesma pessoa que conheci há anos atrás. Talvez aquele que conheci nem fosse você, um outro, quem sabe, que ocupou-te - dadas as circunstâncias de fragilidade extrema. Ou ainda o fato de eu nunca ter te conhecido realmente. É isso! Eis a verdade: Você, esse que pode estar lendo isso agora - esse mesmo, que, hoje, mal fala comigo desde que ocupou seu próprio corpo - esse é um completo estranho, um rosto qualquer. Quem eu conheci não se importava com popularidade, nem se deixava levar pelo deslumbramento. Quem eu havia conhecido era sensível o bastante para captar falsidades, e valoriziar pessoas que lhe faziam o mesmo. Deixa eu te falar desse meu amigo. Ele tinha esse mesmo rosto, esse, seu. Um pouco mais novo, nem tão bonito talvez, mas assim se tornava pelo seu encantamento, seu jeito, sua forma de sorrir; um sorriso doce, jovem, sincero. Aquele sorriso todo aberto ao qual impunha impossível resistência. Tinha a simplicidade de quem não espera nada da vida, mas sempre superava as esperanças da vida dando o seu melhor. Tinha outra coisa linda na sua forma de ser: queria, sempre, parecer forte pra confortar quem, mais que ele, precisasse de consolo. Tá certo...Quem sou pra dizer qualquer coisa de alguém não é?! Você deve estar se perguntando. É verdade, não sou nada, nenhum direito me pertence, mesmo que, na minha concepção, tenha havido profundo laço de amizade com a pessoa a qual viso, de certa forma, condenar. Mas, bom, somos fracos, fracos o bastante para nos decepcionar. Raramente temos a visão cética sobre o mundo, que oprime toda e qualquer forma de esperança, fazendo-nos esperar o pior de tudo. Me desculpe portanto, a fraqueza; mas, já que com ela comecei, com ela prosigo, só para lhe dizer, lhe questionar, se é esse o caminho. Me fale agora, onde está meu amigo? O que com ele fizeste? Onde o jogaste? Na vala das almas puras? Ou ainda tenta, vez ou outra, fazer essa mesma alma vigorar nesse alguém frívolo que te tornaste? Porque, deixa eu te dizer, procurei por velhas amizades n'outros corpos, poucas encontrei. Então...vê aqueles que chama amigo com os olhos daquele que conheci, lembra da tua candura? Seriam eles amigos seus se tu nada tivesse? Se nada soubesse? Estariam do teu lado se miserável e infeliz fosse? Pensa, e procura essas respostas com tua alma, aquela que, cruelmente, puseste de reserva. Descobre se a ti ou à ilusão pertence tal tão triste caminho, e, se por ele fores, te prepara pros pedregrulhos que te farão tropeçar, para as pedras lisas em cujoas irás escorregar. Te prepara para trajetos ainda mais erráticos que te farão, aos poucos, ficar preso em emaranhados de um labirinto sem fim , fazendo-o sentir perdido. Trajetos que vão te enganando ao parecerem mais curtos ou fáceis, te levando ao cerne da perdição. Cuidado também com informações erradas, que farão acreditar em falsos amigos, cuidado com atitudes desesperadas, gestos desacertados. Cuidado, caso esse caminho trilhares, porque será um outro V, nem esse, nem de vingança. Será um V de vazio. Um vazio tão profundo, onde, sem querer vais te aninhar, até não ver mais nada além da escuridão. Foge, foge enquanto é tempo. Procura as cores de verdade, não as dos comerciais de televisão. Procura a cor dos períodos primaveris, dos jardins, dos amores e verdadeiras amizades. Pois lá te espera teu verdadeiro eu, aquele que abandonaste em momentos hostis, mas que, com força, retornaste a buscar, para findar com ele - sua única verdade, aquele em cujas versões você deve crer - um caminho que chamam vida.





DESSE CÉU NÃO QUERO ESTRELAS



A cisma da beleza é, pra mim, a mais bem dotada de complexidade de todas as fobias,[medos e problemas psicológicos e psiquiátricos. O lógico torna-se obsoleto: é questão de gosto. Aleixo pode ser feio aos olhos da Doralice, mas pode ser perfeito conforme Belisária. O problema não é a midia designar perfis ideais á sociedade, e sim as pessoas se importarem em excesso com essa porcaria toda que criaram pra gente. Mais "nojenco" que o jeito estranho de Abelardo, é quem esquece de ver além do óbvio nos que não são exatamente "objeto" de cobiça geral. Em plena era (ainda que hipocritamente) global, e capitalista cuja pouco a pouco foi nos envolvendo,deveria ser - sensatamente falando - crime inadmissivel e inafiançavel julgar pelo meramente vísivel. Aquilo que propagandeou falsamente a liberdade, aprisionou todos em um rede estereotipada [a qual só pode se associar or ricos, famosos e/ou bonitos, iguais, e sem graça] e pela primeira vez na história, a humanidade preferiu estar presa. Lucifer certa vez disse que preferiria reinar no inferno que servir ao céu, e, talvez, por intermédio de uma espécie de "religião" egoísta e manipuladora, preferiram, TODOS servir num céu, cheio de conflitos, mas...ora! UM SANTO CÉU! afinal...nele, podemos ter roupas das melhores marcas, carros de modelos novíssimos, aparelhos de última geração, músicas a nosso gosto, falar o que queremos, e lutar por o que queremos [pois há coisas a querer]...ainda que cheio de conflitos. Entregamos o que tínhamos de mais precioso, - livre arbítrio de escolher nossas companhias- para a mídia, e para todas as formas de propagações destrutiva de crescimento individual, deixamo-nas ocupar nossas idéias, ideais, pensamentos e opiniões. A imprensa que dita os "perfis perfeitos" é como uma conhecida fofoqueira...ocupa todo seu tempo com a vida alheia, acredita que com isso todos vão se comportar da maneira que ela considera mais adequada ao padrão social - e ao dela- , acha que pode influenciar no comportamento dos outros, pois se não corresponderem às expectativas da "conhecida" serão motivo de ridicularizção. Mas se ninguém se importar com que a fofoqueira vai falar, restará duas alternativas: ela vai se cansar [e tudo ficará bem]; ou ela vai insistir, e me digam...se ela não estará sendo bizarra? É só ser simplesmente como se pode ser, e ter a admiravael capacidade de ser feliz assim. Não é tao dificl quanto se imagina. Enquanto apenas criticarmos a fofoqueira [no caso, a mídia] e continuarmos se comportando para corresponder ás expectativas dela, nada vai acontecer; as coisas só vão mudar quando pararmos de nos deixar influenciar por regras e dermos mais importância em sermos mais a essencia de nós mesmos. Então...manda tudo pra puta que o pariu, e vai curtir a sua existência amigo, porque ela acaba rapidinho, é só você esquecer de viver.











FRAGMENTO DE UMA LETÁRGICA LITERATURA



Como se a música suave e docemente tranqüilizante não combinasse com as buzinas agitadas e irritadas - oriundas do caótico congestionamento daquele dia chuvoso – sorriu-se. Sorriu para dentro, para sua própria alma e estado de espírito. Estava ansiosamente inquieta. Tal que não podia segurar tanto dentro de seu próprio peito, como se nele - e talvez um pouco mais abaixo - houvesse mariposas tão irrequietas quanto ela, que provocavam uma buliçosa e, incrivelmente, adorável sensação nas paredes de seus intestinos. Absorta em seus rudes, e ainda assim, dóceis pensamentos sobre como seria dali há uma semana (um pouco mais, na verdade). Não parava de se esforçar para controlar suas quase infantis expectativas. Ao mesmo tempo que queria estar sempre por perto, também tinha medo. Medo, agora não do que poderia acontecer. Mas medo de sua reação. Talvez ela não fosse boa se ele soubesse que as carícias se limitariam ao momento do beijo – que não aconteceria, esperava ela. Queria apenas estar por perto. Era só disso que precisava. De algum tempo ao seu lado, para faze-lo perceber que era aquilo, era ela que ele queria sempre perto, e, simultaneamente, convence-lo de que não dessa vez poderiam, não dessa vez ficariam juntos. Provar a ele, não por meio de palavras, que ele tinha um amor verdadeiro, e tinha sorte por não desconhecer por onde ele andava, e ao mesmo tempo, faze-lo compreender de que ainda não era hora de dar vazão a ele. Faze-lo continuar preso à ela, apenas esperando o momento certo, ainda que em outra vida, de poderem selar suas almas com algo além, algo mais que um beijo. Pensara numa definição de si mesma que escrevera durante um período de renascimento; uma época de conscientização sobre o que ela havia feito, o porquê de ter feito, se precisava continuar fazendo, como precisava agir a fim de mudar se achasse necessário. Foi quando deu-se conta que continuaria a considera-lo da mesma maneira como fora há anos atrás, mas que teria que se conformar com o fato de que não foram feitos para se entregarem a isso. Um amor feito para ficar apenas na memória, na imaginação do que poderia ter sido. E dessa vez, não havia ficado triste com isso. Convalesceu-se de sua saúde mental, e constatou apenas que estava agindo de acordo com a condição imposta pela realidade. E estava. No texto falava sobre um sábado que não houve. Sobre um amor que não amara (e que acreditava jamais poder amar, como gostaria, como realmente desejava). Parecia-lhe, contudo, que agora esse sábado haveria. Que esse amor amaria, de uma forma diferente daquela, mas amaria. Amaria como nada ou nunca tivesse amado. Amaria da maneira mais intensa e poética que poderia. Da forma mais sutil, charmosa e astuta que pudesse ser capaz. Isso talvez mudasse um pouco a definição de quem seria ela mesma. E era essa a prova do seu poder sobre ela: tão intenso, tão intenso, que poderia fazer com que alguns momentos com ele, a tornassem alguém diferente em sua mais ampla conclusão de personalidade. Sabia que algo muito ruidoso estava por vir, isso lhe causava uma sensação estranhamente estrepitosa de alegria quase eufórica. E tentava evitar tantos pensamentos retornando a sua leitura. Bobagem, a garota do livro também parecia querer persuadi-la sobre o fato de não ter como lutar nesses casos. Há apenas como se conformar, e isso ela já sabia como fazer: vinha fazendo-o há meses, desde que entendeu seus próprios sentimentos, que antes expurgava com tanta fúria e repudio. Agora, porém, parecia determinada. Parecia alguém que queria ter sido, que deveria ter sido. Ou não. Agora estava disposta a surpreende-lo da maneira mais improvável possível, e não sabia como, de que jeito. Não sabia o que faria, o que exatamente falaria, e por isso estava tão aflita. Impaciente para chegar logo o dia, para gozar-lhe internamente da expressão do outro quando esse, chocado – muito evidentemente – perceberia sua presença despretensiosa. Alvoroçada por pensar como ele agiria, e ao mesmo tempo, assustada com a probabilidade quase palpável de que ele a ignorasse a fim de poder entender. Mas se tudo que a tornada uma admiradora fervorosa dele fosse real, fosse realmente suas características peculiares, duvidava que ele pudesse ser tão covarde. Poderia sentir-se intimidado, sem coragem, isso sim. Mas não que essa falta de ousadia o impedisse de repelir sua curiosidade. Coisa que, dificilmente, ele conseguia esconder – mesmo com sua capacidade irritante de esconder-lhe tudo. Duas coisas, aliás, passavam despercebidas pela sua personalidade inocentemente misteriosa: sua curiosidade, e sua tara e paixão incondicional às mulheres, e claro, a deixa-las inebriantes. Ou, apenas ela era tão tola nesse sentido. Mas realmente acreditava que não eram poucas as mulheres que ele tornava extasiadas ao exprimir seus sentidos mais instintivos e masculinos quanto fosse possível. Era branco, corpo pouco rijo. Sua mão nem mesmo era das mais bonitas e másculas. Aliás, seu jeito todo não era o de um homem feito. Era o de um menino. Alguém cujas necessidades de homem adulto não haviam ainda aprendido a lidas com as antigas, de garoto. E não sabia bem se podia afirmar com certeza que também podia ser isso que a deixava fascinada. Pensava tanto e com tanta força nele, que custava a crer que era contra sua vontade, e ficava surpresa ao sentir que era. Que era impulsivo o fato de, muitas vezes, não conseguir realizar suas atividades de maneira normal, pois estava distraída vivendo sua vida em outro mundo. Uma vida em que lhe era proporcionada a deliciosa sensação de se estar com o que chamam de “pessoa certa”, e, evidentemente, não haveria ninguém que sua mente pudesse encarregar de ser essa pessoa, se não ele. Aliás, boa parte de sua paixão era culpa dela, de sua mente. Boa parte de seu desejo devia-se ao fato de ela, sem querer, acreditar que, na vida real, ele pudesse ser tão perfeito quanto sua mente fazia-lhe acreditar quando levava-a para aquele mundo paralelo a qualquer outro. Talvez daí viesse outra parte de seu medo. Esse temor quase irracional de que fosse tudo uma ilusão. Irracional porque, no fundo, sabia que era, e costumamos ter medo daquilo que não temos certeza ou exatidão Temor porque não sabia se, depois que a ilusão se quebrasse e sua personalidade passasse a fazer, realmente, parte de sua vida real, ele continuaria a ser “a pessoa certa”, mesmo cheio de imperfeições, se ele ainda continuaria a ser a pessoa que ela acreditava ser perfeita a sua vida. Sentia, quando pensava assim, que sua existência toda funcionava como um grande e completo quebra-cabeças, e que apesar de quase todo montado, apesar de quase todo formado, e visivelmente belo e estrutural, faltava uma peça. Na sua imaginação, havia também esse jogo, e ele era a peça que faltava. Tinha receio, portanto, de que isso não acontecesse na vida real. De que mesmo não sendo uma peça perfeita – sem pequenos rasgos nas laterais, ou manchas na superfície – como era na sua mente criativa, ele não era, nem de longe, a peça certa, que se encaixava ali para formar uma imagem completa. Obviamente que sempre vira seus “rasgos laterais e suas manchas na superfície”, mas ainda queria confiar que continuava a ser a peça que tornaria o tal jogo completo. A verdade é que sabia que meu quebra-cabeças ficaria cada vez mais lindo a medida que o tempo passasse, mas que, por mais lindo que fosse, não taparia ou tornaria despercebido o buraco que havia. Sabia que o buraco ficaria por muito mais tempo do que boa parte das pessoas torciam e acreditavam que ficasse. Sabia que se existisse mesmo outras vidas – como acreditava – o buraco permaneceria por muitas delas, mas em cada vida que se passasse, um pedaço da peça fosse seria encontrado; até o dia em que percebesse que talvez estivesse com pedaços o suficiente pra montar a peça faltante. E ela realmente acreditava ser ele essa peça, ou porque era, ou porque era assim que devia ser.





FALÁCIA



Falou logo que assim não dava mais. Ele ainda gostava dela, daquela, a outra. Ela sabia, ela sentia. Intuição maldita, de tão boa. O olhar de mágoa que lançou a ela algumas vezes quando a viram num evento qualquer contou-lhe tudo. Algumas de suas palavras, aquele jeito de incomodado quando falavam-na. Não lhe atendeu durante toda a tarde, verdade, tinham combinado que TALVEZ ela iria encontrá-lo no local combinado, mas não estava a fim de fingir que tava tudo bem. E o pior não foi isso, o pior foi ter, tantas vezes, mentido. O pior não foram nem as mentiras, coisas pequenas, sei la, o pior foi o fato de ter mentido. Chegou a sua casa nervoso, batendo na janela da sala, pedindo suas coisas de volta. Ela, tratou-lhe com indiferença e disse que não havia nada dele ali. Ora, se ele achava que teria as flores, os presentes que dera a ela, de volta, estava muito enganado. Presente é presente!! Não tem essa. Estava terminando de escrever uma carta a ele, iria entregá-la, e falar que não dava mais. Assim fez. Nem era pra ele ler na hora...Mas leu. Leu, rasgou, amassou, jogou pela grade. Insistiu, chorou desesperadamente, ajoelhou-se e agarrou suas pernas. Ela continuava séria, e determinada. Fingiu que estava tendo um colapso, que tinha desmaiado, quem sabe quis até fingir que tinha morrido. Tolo. Ela, calma e racionalmente virou-o, colocou sua mão no coração dele: como esperava, ele continuava batendo. Quando "acordou" chorou ainda mais, esperneou, jurou que não gostava daquela outra, que amava era a ela, que amava mesmo. Pediu uma nova chance, pediu várias vezes, falou que faria de tudo, perguntou-lhe o que queria pra voltar pra ele. Implorou, tentou se matar da forma mais tosca possível. Nada a abalou. Fingiu, depois, estar irritado, cansado, que iria embora, que faria a vontade dela. Pediu-a para abrir o portão. Pedido negado, afinal, se ele entrara sozinho, bem poderia sair da mesma maneira. A verdade, ela sabia, ele não iria embora. Nada a faria mudar de idéia. Ela sabia que era o certo, o sensato, o racional. Ela sabia que merecia coisa melhor, que merecia alguém que não lhe mentisse, que não se incomodasse com outra pessoa, merecia alguém só dela. Negou tudo o que merecia. E, mais uma vez, resolveu dar mais uma chance àquilo que dizia seu coração.



SORRISOS SACANAS



Muitos são os gêneros literários; romances-policiais, romances apenas, ação, aventura, suspense, comédia. Mas somente um torna-se interessane na avaliação de "Sorrisos Sacanas", de Sérgio da Costa Ramos. Nele, as maneiras mais esdruxular de se fazer crônicas inteligentes se manifestam harmoniosamente, tudo por conta de um humor satiricamente crítico. Tais ingredientes tornam-o mais amenos do que verdadeiramente são, eufemismo do bom. Ainda que não seja um estilo que se possa chamar de extremamente original de se escrever, é, sem dúvida, um convite para novos horizontes, já que propõe bastantes idéias antes não imaginadas. É o caso de "Novos Palavrões", que satiriza impiedosamente o massacrante desprezo pela política, pela tirânica manipulação da "tevê". Outro exemplo é "Imposto-Cerveja", que, da mesma maneira, censura os abusivos impostos do País. Em "Rap do Real", o autor aproveita-se do caos político-social no Brasil, para ironizar, com sua já conhecida e abrangente literatura, num quase um pedido de socorro. Porém, dentre todos, "O julgamento de Hitler" seja o mais profundo quanto a tocar nas feridas provocadas de atritos sociais, "mágoas" antigas, denunciando a negligência e o descado com a justiça por parte - olha que inspirador - da própria justiça, que se tonaria mais justa e digna caso acompanhada por um indispensável "in", porque, Justiça - e prova essa crônica em especial - mudou para o nome de Poder, e resite em outro endereço: todos os becos escurtos, todos os alinhos da imoralidade e obscuridade estão agora assutados com a maciça invasão da Sujeira que escoa das roupas não lavadas, oriundas essas de ministérios de (des)casos não justificados; não tem comonão confundir JUSTIÇA com INJUSTIÇA, mas se procuras a primeira, e pensas tê-la encontrado, mas ela lhe vira os olhos, volta a procurar, que achaste foi esta maldita segunda.





REMINISCÊNCIAS



À companhia de um mendigo submundistadas almas e amores, foi que pedalei até a solidão. Foi lá, sob os pássaros e as folhas que andei sem direção. Foi pelas árvores, pelo azul, e pelo vento, que diagnostiquei a minha pouca e fútil dor. Foram os alteres, os rostos bonitos que por mim passaram. Que cantaram...encantaram. Como borboletas atraem um jardim. Foi pela camiseta verde, pelo jeans surrado, que constatei minha alegria...Não foi pelos luxos, pelas belezas...Foi mesmo pelas gaivotas,brumas de espumas, algodões...Na água. Foi o banco velho de madeira que me acolheu tão gentilmente, em que por poucos e longos minutos adormeci. Foi pela velhice, simpática e invadida, pela sabedoria dos antigos e inocência dos mais jovens. Foi pela flor princesa...pela casa vazia..Mas não, não foi por você minha vã felicidade.



SUPOSIÇÔES(quase)AMENAS



Verdade, houve um homem que despertou seus mais pequenos e metódicos interesses. Incomum. Talvez só por ele, ele que não foi seduzido pelo egoísmo quase inegável de sua feminilidade, tão inegável, quanto a mentira sobre esse pensamento. Tiveram outros, claro, sempre há vários. Chegou a ter um que lhe embriagara em gestos e palavras, loucamente, por certos meses. Mas um qualquer, como todos tantos...Ou amavam por minutos, com aparência de amor pra vida toda, ou não amavam coisa alguma, nem coisa minguém. Ainda que não fossem os homens todos iguais, terminavam sempre da mesma maneira: daquele jeito abrupto e incompreensível dos amores de primavera. Secos e amáveis como sempre, lhe fizeram acreditar em seus próprios erros. E ainda que chegasse a pensar em um durante algum tempo, logo aparecia outro, que lhe mudava os pensamentos. Mas naquele, ah! Aquele não. Lembrava-o sempre como uma dama tola de antigos romances, que ama algo impossível. E gostava assim. Os outros sempre morriam, a realidade os aniquilava da forma mais horripilante e deliciosa que pudesse existir; esse era imortal em sua memória, pois não havia realidade. Lá, ela podia realçar-lhe as qualidades, ou até extinguir todos seus defeitos, lá, ele era como ela queria que fosse. Não era um caderno rascunhado, mas sim, folhas em branco, que estaria sempre à disposição de suas inspirações. Onde podia voltar para ver sua própria arte. Talvez por isso, fugiu quando ele voltou: Transformá-lo em um outro qualquer? Rasgar todos os desenhos que lhe fazia? Ter um outro romance, monótono, tradicional, que vai acabar em três meses, destruindo toda a obra prima que lhe tinha sido reservada? Achou melhor não. Ficaria lá, como intocável, impecavelmente eterno, soberano. Como um conto de fadas que não dera certo por sua própria escolha e culpa. Se ao menos ele viesse com ela, se ao menos ela tivesse certeza de que seria pra sempre e que se sentiria plena mesmo sem ter vivido tudo que queria antes da mudança...Melhor, se ao menos ele viesse, e sentissem, em duas semanas o que nunca nenhum casal de décadas havia sentido. Se deixassem de chorar o que chora um amor que termina rapidamente, de tanto que valera a pena tal entrega...Mas ela não sonharia com coisas que não aconteceriam. Tudo que podia haver, mais perto da realidade, era dali há vinte anos...Ele recém separado, ela solteira e loucamente aventureira...Os dois conversando sobre tudo...bem sucedidos apenas financeiramente. Ela lhe revelando tudo. Ele perplexo, talvez culpado por nada. Eles. Um sem o outro.
Amores que nunca se amaram naquela vida, mas que poderiam ter-se conhecido em outras, e em outras...e se encontrariam em tantas outras, de outras formas...até que estivessem preparados para se entregarem. Seria tão...igual, se deixasse acontecer. Assim, platônico, era como se fosse mais profundo, verdadeiro. Porque era o mais puro e verdadeiro sentimento que poderia nutrir por alguém - e ele era o único que poderia ser nutrido. Inexistente. Era como se fosse como nenhum outro tinha sido, e como nenhum outro será. Como se os dois estivessem eternamente comprometidos sem terem assumido compromisso algum. A espera sempre cria mais vontades, sensações...uma espera como essa então, além da vida. Claro, não acreditava piamente nisso, mas pensava que se fosse para acontecer, seria assim. Se fosse para acontecer, seria o mais verdadeiro e puro que já existiu. Ora, se realmente já vivera outras vidas, e se vivia esse impasse tão grande, era porque já o vivera em outra. Não era, então, simplesmente uma questão de arriscar, de coragem, de não ter medo da dor que poderia haver num provável rompimento...Não. Era uma questão de honrar um verdadeiro amor, ou nem dar vazão à um engano sentimental. O que sentia era tão, tão puro, que não ousava tocar. Tudo bem, pode ser cômico. As meninas diziam seus amores aos rapagões que despertam seus desejos mais intensos...Então, são carinhosas, doces, românticas. Contudo, são, muitas vezes, capazes de trair, de desejar outro que não aquele. Ela não. Só diria quando tivesse certeza, só se entregaria se soubesse que era pra valer. Conhecia seus sentidos bem demais para dizer amor à uma reles vontade, à uma atração. Aos desejos não tinha nada a esconder, eram fomes carnais apenas, algo fácil, pecaminoso, simples luxúria, jogos baratos (porém eficientes) de sedução. Uma distração.
Já os amores, tinham de ser especiais. Algo tão puro não podia ser tratado com desleixo. Não queria, portanto, ficar vulnerável a nenhum deles. Por isso os escondia, entre as poeiras, entre seus cabelos, embaixo da cama, dentro dos armários e dos baús, por entre os livros...dentro do mais profundo de sua alma. Assim, só os merecedores teriam paciência e sensibilidade para encontrar. Aos desejos se humilhava, pois era uma humilhação egoísta, interesseira, com intuito único de conquistar o desejado. Os amores ganhavam sua retração solidária para com o outro, e para com si mesma; não queria enganar nenhum dos lados, nem fazê-los sofrer, assim, não se sentiria culpada por ambos sofrimentos. A verdade é que, os humanos, bem como os animais, sabem do que se trata quando encontram-se. A presa sabe quando é só presa do predador. Ou quando ambos os envolvidos são presas e predadores. Sentem o perigo de não serem mais caçadores, e o medo de não saberem mais o que são.





A CHATICE DO MACRO, EGOÍSMO DO COSMO,



porque ser profissional cansa. Esquecer que um dia lembrou é chato, e tentar de novo é indigno. Esse é o fim de todas as insistências, de todos os enganos. Meninas são gente boba, pode ser fruto da malandragem, pode ser ela mesma e essência dessa segunda, mas não adianta, são sempre bobas num certo momento. Aí cansam, e voltam...e assim começa um ciclo quase interminável de frustrações. E aquela velha história do carpe diem, ser feliz, aproveitar as oportunidades? Besteira. Isso tudo é muito tedioso...Quem disse que obscenar para o que a vida oferece é errado? E aquela porcaria de livre arbitrium? Tudo uma grande bosta...Por que tem que ser sempre tanto assim? Para quebrar barreiras então há de se fazer tudo o que manda o velho testamento do 'Good Life'? Aquela coisa meio 'beatníaca', e talvez um pouco hippie dos tempos antigos? Que tudo vá fazer parte da grande merda da vida. E daí se eu quiser não beber, se eu quiser não amar, se eu quiser não chorar, se eu quiser viver com olhos voltados pra meu próprio microcosmo? Agora é, por certo acaso, errado abdicar do que julga-se ser bom e gostoso? Busca da felicidade eterna...grande tolice. Quem disse que ser feliz é tudo na vida? Quem disse que o orgulho é o pior defeito, e que sozinho ninguém vive? Quem disse que beber leite é errado? Quem disse que ingerir excessivamente altos teores alccolicos é burrice? Quem disse que é lindo o amor, e que deliciosa é a sensação da paixão? Também não tô dizendo que não é...Mas, por obséquio; quem disse que não é? Bem, também não é errado os que lerão e se decepcionarão, que me acharão insenssivel, desumana, capitalista(sempre há os criativos)...Não é errado eu me explicar, dizendo que "não, eu não estou brava, mal-humorada, chateada, e não aconteceu nada que me impulsionasse a isso, talvez poucas e fúteis coisas que inspiraram...só.". Sim, eu posso dizer isso. Posso dizer que tudo o que eu falei acima também é bobagem, e que por mais que eu não queira ainda vou continuar chorando, amando, e olhando mais pro resto do mundo no lugar de meu velho e impessoal microcosmo...Isso foi só pra lembrar aos alienados e desavisados que ser louco, e quebrar barreiras não se limita ao clichesismo de viver cada momento...Não está numa garrafa de uísque, ou saltar de bung jump- ou seja lá como escreve -...No entanto, ser clichê é tão permitido quanto viver cada momento, beber uma garrafa de uísque, e saltar de bung jump seja-lá-como-se-escreve...O importante é beber e saltar porque tá a fim, e não pra se mostrar livre. Mas se quiser saltar e beber só pra mostrar que pode me contrariar, é...isso também é permitido porque.









O PARDIEIRO



Humor triste. É dessa maneira que Francisco José Pereira poderia, tranquilamente definir o embasamento de sua obra. É com essa humilde ferramente que tenta amenizar, ou pelo menos tentar, os problemas no Brasil, e, magnificamente, ao mesmo tempo que faz-nos rir, nos faz pensar - ainda que os sorrisos sejam apenas um falto atalho, que encurta o caminho da frustração. Mais realista, e rebelde, exprime a visão de quem, além de observar os erros de uma sociedade desigual, a vive. Talvez, por esse motivo, não consiga usar do humor forte da maioria dos cronistas para minimizar os efeitos desse tirânico acontecimento, porque os efeitos da fome, miséria e humilhação, são tão normais quanto aquilo que os causa. Assim sendo, não há o que amenizar, apenas relatar. É disso que se trata: de relatos. Relatos que podem ter sido inventandos, mas que bem poderiam ser reais. Os contos que compoem esse livros são do tipo que começam de forma quase desprezível, linhagem um pouco primária, infantil. Joões, Anselmos, Sandras, Cristinas...Gente sem sobrenome, nomes sem criatividade. Não, não é bem isso, tudo proposital. A literatura aparentemente pobre vai tomando corpo, ganhando alma aos pouquinhos, porque rouba a alma de quem a lê. São assim, envolventes. Tanto, que quando terminam, deixam o leitor acabrunhado, perdido, sem saber por onde ir, o que pensar, como organizar tantos pensamentos, para, só assim, abrir espço para os próximos contos que virão. Envergonhado, por, às vezes sorer com tão pequenas coisas, enquanto gente por aí tem tão grandes problemas e já nem sabem sofrer. Por isso quem lê com o coração "O pardieiro" precisa de tempo, muito tempo. Existe, em todos os personagens, uma capacidade quase irracional para a praticidade: chegou no limite, mata, cansada da velhice sofrida veneno; escapo de um assassino psicopata, melhor; traição e dívida no SPC, normal; romances frívolos que acabam repentinamente, fazer o quê. Prossegue, nessa linha, a lista de irrefutáveis friezas - mas aceitáveis - no decorrer da leitura. Uma frieza sensível, porém notável. Uma "frieza estranha", porém necessária. Uma frieza que, cruelmente, tem de ser utilizada para proteção da crueldade que os rodeia. Por isso quem lê com o coração "O pardieiro" precisa de tempo, muito tempo. Precisa de um intervalo maior do que o espaço em branco entre uma história e outra.





PARA ALGUÉM



Isso mesmo...Pode parecer surpreendente, mas não é. Simplesmente aceite...Ninguém te quer. Ninguém pensa em você antes de dormir. Ninguém lembra quando ouve uma música ou lê um poema. Ninguém tentaria ser o melhor. Ninguém se esforçaria pra te fazer cada dia mais feliz. Ora, reaja! Ninguém te prepararia café na cama se você estivesse indisposto! Ninguém riria das suas piadas quando elas não tivessem graça, porque a graça estaria no fato de você ter tido coragem de contá-las, e contá-las daquele jeito todo desengoçado que...Ningém conhece. Ninguém te abraçaria se você sentisse medo ou tristeza. Ninguém te seria fiel e confiável se você quisesse. Ninguém faria de tudo pra ficar com você. Ninguém prepara mentalmente discursos inteiros pra saber o que passa na sua cabeça. Ninguém passa horas tentando, frustradamente, descobrir seus pensamentos mais íntimos. Ninguém fica morrendo de vontade de te dar um beijo, de fazer um cafuné. Ninguém gosta muito de você. Ninguém te acha especial. Ninguém quer te dizer o que sente. Se ninguém se envolve, se nada acontece, é porque Alguém tem medo de se envolver, Ninguém acredita...E só desacredita se Alguém negar, provar que não. Porque, Alguém exita, se culpa talvez, e joga essa culpa no próprio medo de errar, pior: se desculpa na desculpa de que se não se envolve, não é pra não se machucar, mas é pra não machucar Ninguém. Ninguém não quer isso. Ninguém acredita que se sair ferida é o risco que ela corre pra poder ficar com Alguém então ela quer se arriscar. Ninguém considera inaceitável o fato de Alguém se achar no direito de temer por ela. Ninguém queria saber, sem disfarces, sem mentiras, nem jogos baratos de sedução. Queria saber se o verdadeiro medo de Alguém é realmente por não querer machucar Ninguém, ou se é simplesmente um medo seu, só seu, de se envolver. Ninguém queria saber se Alguém sabe desses tórridos sentimentos que à Ninguém atormentam, e se Alguém é tão atormentado como ninguém, ou daquele jeito que só Alguém tem. Talvez, Ninguém nunca saiba...e Alguém passe a ser ninguém se não souber valorizar alguém que, infelizmente, pode até mesmo não ser Ninguém. Ninguém se conforma...ninguém mesmo.



GLORIOSAS DESISTÊNCIAS



Se dizem que não amar é covardia, vos digo que não há maior risco que arriscar não ser valente e aceitar a derrota na esperança de um dia vencer, mesmo que só, mesmo que murcha, como a única flor que pôde vencer entre as rochas. Não há maior risco que entregar-se a viver de esperanças e esperar para sempre. Não queira coragem maior que a coragem daquele que não ousa tocar num grande amor platônico, para não destruí-lo. O calor do sol é perceptível á todos, mas quem pode sentir a magnitude e o esplendor da chuva? As belas flores todos vêem, mas quem consegue enxergar a nobreza do mato que cresce junto ao muro? Ou o contraste do verde das árvores com o azul do céu? Quem consegue apreciar tão vis coisas – e sem as lentes da paixão. E a bondade? Ah...a bondade e o normal todos aplaudem, acham graça; mas quem pode compreender a complexidade do incomum, do maldito? Ninguém aprecia o real, todos cuidam e preservam e amam o prosaico e fútil parnasiano. Eu sou alguém que se permite ao natural.



SONHOS SEM REFRÃO



Fui pra praia. Mas ela estava sumaria e sombriamente vazia. As nuvens escuras acusavam isso, mas estava um céu bonito ainda assim...Eu, alguém. Então começou a trovejar, e tinha um menino por ali, um metro de altura, e cara de quem não sabia pra onde ir, perdeu-se. Então falei pra ele vir comigo, peguei ele no colo, e corri. Eu ia pra Curitiba no mesmo dia, a noite, e estava convicta de que o levaria junto, porque o moleque era simplesmente...perfeito. Quando lhe peguei no colo, abraçou-se ao meu pescoço com a confiança de quem já me conhecia, e que amava tanto quanto passei a amá-lo depois do acontecido. Um pouco antes, teve aulão, e eu que pensava que era só pros alunos do terceirão, me surpreendi com tanta gente...os acentos eram separados em quatro poltronas. Sentei no canto de um, e logo em seguida veio um garoto (que eu nunca tinha visto na vida), então eu disse: - Peraí, vou comparar Halls, não consigo ficar sem.E ele foi e comprou um pra ele também. Mas na volta, não era mais ele, era um garoto, não tão bonito (mas bonito ainda assim) que estava, supostamente, sentado próximo de mim antes da compra. Então ele falou:-Peraí, vou lá pegar um acento só pra nós dois. E lá veio o garoto carregando as poltronas de um cinema. E foram felizes para sempre. É...Nos sonhos a gente é feliz.







PORRA!



sabe aquela vontade sobrenatural de mandar tudo pra puta-que-o-pariu? de querer fazer tudo mas saber que é melhor não fazer nada? de dizer tudo mas saber que é melhor se calar? aquele desejo louco e irresistível de falar todos os palavrões possíveis (e fazer algumas combinações excentricas entre os mesmos)...de tomar um vidro inteiro de calmantes pra dormir um dia todo, ou mais? sabe aquela dia de cansar? de cansar de ser educada, de cansar de ser discreta, cansar de falar "p...", "vtnc", "fdp", cansada de ser sempre tão sutil, ou sempre tão idiota, ou sempre tão sincera, ou sempre tão confusa...cansada de dizer que não tem motivo pra estar de saco cheio, de dizer que não sabe porque, mas está com vontade de dar um tiro no pé - porque você sabe - de dar um grito pro nada...de se jogar...então, é hoje.













INFINITAS FEIÇÕES INEVITÁVEIS



"Hoje não houve jeito. Por tanto em vão que foi disfarce, ao contemplar-te, e docemente apreciar tão belos traços, vi tão rapidamente alui-me. Sentia em cada alheia expressão, a dor de à mesma não conjugar-me. Produzindo nas mais fundas raízes da alma uma força até então desconhecida, para fazer-te não notar tanta angústia, e desfazer lágrimas a outro instante. Hoje nada foi de boa serventia, e muito lembrou-me você na estação de todos os sóis, enquanto vertia pranto. Tudo tão bem estava...Nada mais tristemente pensei. Tão bem se encontrava minha existência. Mas hoje não teve jeito ao recordar que, infelizmente, com você não pude estar."





TEDIO + SONO = Desenhos inúlteis



bom, ficou MEIO ilegível. Mas é TIPO um sobrado. PEDRO: Isso é uma obra de arte, eu passaria meses observando. Pensaria: o que essa pessoa faz à janela? O que ela quer? Quem é ela? Estaria olhando algo? Ou alguém?!(Pedro é um pseudo-visionároio-artístico-cultural, quer ser médico, mas até já passou para administração em uma conceituada faculdade, acredita em uma ideologia maluca cuja o único seguidor é o próprio.) CAROL: Acho que ela acabou de ter uma transa, e um apetite sexual completamente frustrado. Tipo mal-comida, agora ela deve estar pensando: "Meu...que bosta! Esse cara parecia ser bom nisso, e eu pedi três horas fazendo NADA."(Carol ama história, feminismo, e tudo que diz respeito à boa música. Admira políticas alternativas, mas sabe ser utopia suas eficiências. Ela não diz belas coisas, nem tem pretensão de fazer belas coisas. Mas ela sabe bem o que diz, sabe que é verdade, e diz o que quer. Ela é engraçada e divertida, e com certeza, é bem mais legal levar ela, a levar o Pedro pra sorveteria numa sexta a tarde) PEDRO: =O (Diz o que vê nos filmes cult e europeus, age como agiriam os atores. Conversa como se fosse uma enciclopédia, e classifica as pessoas de acordo com a capacidade delas de classificarem os verbos com suas respecticas regências, entre outras regras gramaticais chatas.)LUANA: Não ficou tão mal. Produto de um tédio adormecido.(Luana é uma pessoa que parece legal, mas não é.) FOTO: http://www.fotolog.com/luanamconti/39467686









VERDADES SOBRE GLÓRIAS



Não constam nos autos da imoralidadeas medalhas das derrotas, os troféis da desistência. Desistir é a mais nobre demonstração de coragem. Desistir é força também. Findam nos alteres gloriosos dos desejos esquecidos, não realizados. Póstumas concretizações, não mais.



CONTEMPORANEIDADES



Perdida, desfiguradamente alimentada de falsos incentivos, de inocente promiscuidade e perversão. Eu, sem saber o que fazer. O que falar. O que? O que dizer? Se nada mais me importa ouvir. Se nada mais se faz de algum sentido. Desprovida de palavras verdadeiras, e, possuídas tais palavras (como eu) de orgulho e certa insanidade que deixam-me por completo infeliz, mas momentaneamente satisfeita. Sem saber ao certo o irreal do imperfeito, ajo sem razão, de maneira inesperada. Sem querer e sem saber...A quem seguir, o que fazer. Perceptivelmente dividida entre impulso e indigência. Viajo por meu mundo mascarado, mascarada...restringido à medíocres e pequenas emoções. Incontrolavelmente, na vontade de mudar, procuro em desespero qualquer droga, algum vicio momentâneo e visivelmente entorpecente. Qualquer coisa que engane e distraia. Que me arranque do universo agonizante, e me alivie por tempo indefinido de pensamentos tão falsa e insolentemente indiferentes.



A DROGA DA OBEDIÊNCIA



Havia um cavalo, que tinha um dono. O dono sempre lhe carregava, lhe orientava, mandava onde ele tinha que ir, e por onde ele deveria fazer o caminho. O cavalo, sempre medíocre e irracionalmente fazia tudo como o dono lhe ordenava. Ele não se importava com isso, já que essa forma lhe permitia mais horas de sono: ao invés de ter que pensar sobre como deveria agir, seu dono sempre lhe mostrava como realizar essa dificil tarefa. Certo dia, o propietário do animal estava com muito sono, e acabou guiando o bichano para uma areia movediça. O cavalo, relinchando, chamou o dono de incompetente e ignorante, mas calou-se tal qual foi a resposta do outro: Ora, Cavalo, ignorante e idiota é você; que só comia, dormia, e fazia tudo que eu lhe mandava sem demonstrar contraditoriedade com nossa relação, eu mandava porque me era conveniente, e você pareceu achar conveniente pra você obedecer. Não tens direito algum de reclamar, tiveste oportunidades de se rebelar, fugir...e traçar seu próprio caminho, mas preferiu viver às minhas margens, sempre me seguindo, e aceitando as rédeas e o tapa-olhos que lhe coloquei. Ignorante é você, que agora está aí, prestes a ser engolido pela terra pois teve preguiça de pensar. MORAL: A grande sacada da vida é não ser diferente porque ser igual é tão chato, nem ser igual porque ser diferente parece revolucionário ou clichê demais. Não concordar pra não ser de direita, nem ser de esquerda pra não parecer revolta. Deixar de vestir saia curta porque é vulgar, nem vesti-la para parecer sensual. Vestir calça para não parecer oferecida, nem deixar de vesti-la por medo de perder a feminilidade. Não falar pra não parecer boba, nem falar pra parecer boa. O grande barato é fazer o que se está a fim, e se não estiver a fim de fazer o que está a fim, então...não fazer. O bom de tudo é simplesmente SER. Seja o que quiser, mas, caso prefira ser como os outros esperam, bem...então não poderá reclamar se acabar na areia movediça.









DEZ COM TRÊS ESTRELINHAS



Ele é só mais um garoto bom fazendo coisas más. Não, não...Não somos o que temos por dentro, somos o que fazemos. Jack é um cara legal, mas veja só o que ele faz...Quantas mais ele vai enganar? Quantas tantas vai iludir com seu jeito doce de olhar?Quantos tantos vai ela encontrar que vão contar a mesma coisa, e vão pedir as mesmas desculpas?! Ela nunca quis desculpas Jack, ela só quis um pouco mais da sua coragem inexistente. Ela não te odeia não. Ela odeia sua covardia, sua incapacidade de olhar nos olhos, como um dia mostrou poder fazer. Ela não queria que você dissesse que merecia algo melhor, porque não gosta de ouvir coisas que já sabe. Ela queria um adeus mais digno, mais merecido. Ela só queria entender, só queria ter de volta as coisas no lugar. E você não foi nem capaz de ser um pouco mais honrado...Jack é simplesmente um calhorda ensinando moças bobas a nunca mais acreditar. Um competente professor, batam palmas para Jack...Sorri para a platéia: Senhoras e senhores, eu sempre fui sincero, Senhores e Senhores, vejam o meu rosto, e minha cara de infeliz. Foi dificil pra mim também. Eu só não penso no que passamos. Eu só não sinto falta, e só não tenho medo de me envolver novamente...E tudo bem eu ter tão rápido me curado de meu mal-estar...Mas, qual é? Eu sofro tanto...Batam palmas: Teacher Jack terminou sua lição.









SOBRE AS COISAS QUE SOU



Eu sou o vírus da sua vida, o queimado do seu bolo...Sou seu saco de doces vazio, seu celular sem bateria, seu bate-papo sem papo. Eu sou a música sem som, o risco no seu disco, sou a falha da sua cara. Sou a mentira da história, a perdida da memória; a grande sacada da sua vida, e o chão da sua queda. Sou a chuva do seu dia...a solidão das suas noites. Sou seu olhar sem rumo, seu caminhar sem direção, seu amor não-correspondido. Sou sua vida sem sentido, seu atraso matinal, o compromisso adiado. Sou o mendigo da calçada que você não deu a mão. Sou o tropeço do seu tango, e a poeira das suas estantes. Sou a bússola sem norte, o céu sem estrelas, verão sem sol, primavera sem flores. Sou seus olhos sem visão, sou o rosto sem expressão...Sou a caricatura sem graça e sem cor. Sou o arco-íris monocromático das suas tardes frias de março. Porque não sou janeiro...não sou férias. Eu sou sua prisão, seu cárcere secreto. Sou a putrefação, e não a beleza da morte. Sou a garrafa vazia de úisque, quando você precisa se afogar. Sou a louça não lavada das suas tardes de preguiça, a geladeira vazia nas madrugadas de fome ou ansiedade. Sou a formiga do seu açucar, sou sua insônia e toda sua dor de amor. Eu não sou boa o bastante pra ninguém, e ninguém serve pra mim. Sou a conquista dos meus sonhos. Sou o dinheiro encontrado no velho jeans marinho, sou os jogos de sedução, e a beleza do início de todos os amores. Sou a ressaca do mar em outubro, e a praia vazia de julho. Sou o vento da sua vida. O tempero da comida...Sou as rédeas do seu caminho, os desejos dos seus traços. Sou as lágrimas da conquista, o colete, seu salva-vidas. Sou o tapa do beijo. O não do desejo. Sou as linhas do poema sem título e sem sentido que tomou sua leitura.



GLORIOSAS DESISTÊNCIAS



Quis amar; distância. Quis chorar: saudade -do que nem foi. Voltou. Quis então, novamente, amar; medo do que destrói: o eterno. Insistiu, verdade. Mas ela escondia, ignorava, fingia que não. Cansou então. Ela, continuava querendo amar. Ele, já cansado de tentar. Ela? Deixou simplesmente pra depois, ou nunca mais, pra sempre.



TRÊS ESTRANHOS, UMA SÓ LIÇÃO



Um dia a gente aprende que é inviável se enganar; se achar forte ou fraco demais. Não somos o que queremos, somos o nossos prórpios desejos refletidos em nossos pensamentos e atitudes. É inultil dizer que não se está envolvida com qualquer coisa, e que é possível mergulhar num projeto qualquer achando que, mesmo sem respirar, não vai haver afogamento. Se for pra mergulhar, que seja preparada pra se afogar. Não adianta dizer que só está molhando o pé...Ninguém resiste muito tempo sentindo só um pouco de algo bom...Verdade, verdade. Mas também é mentira dizer que se vai ficar no fundo do mar pra sempre, e que nenhuma forma de resgate vale a pena. Nem é certo contar que nunca mais vai querer mergulhar. Pode até ser razoável a idéia de aprender a respirar embaixo d'agua, ou a de não mergulhar por um tempo até aprender a estar preparada para os riscos. Mas deixar tudo pra nunca mais? Besteira. Vou mergulhar agora, vou mergulhar sempre, mas depois de me afogar, entendi que a possibilidade de aproveitar o mergulho só vai existir quando eu entrar na água protegida.









SEM TÍTULO E SEM DIREÇÃO



Talvez foi só isso que eu precisei: andar sem rumo, e em cada passo deixar uma marca, que seria a marca de cada pensamento. Quando eu voltasse...os cada passo, e cada mágoa, e cada angústia já teria sido levada pelo vento e pelo sal da água. Seria bom se fosse assim. Mas eu quis menos até, não quis mais nada, só não ter me sentido tão diferente do meu comum, só não quis ter tanto medo, e ficar tanto sem saber o que fazer. Mas eu ainda descubro se é assim como tenho agido que deveria agir, ou se tudo não passou de um doce engano, cujo gosto sempre vou sentir. Eu só espero que até lá, eu não tenha esperado demais.









DESENCAVEI



Eu ainda acerto o alvo, to meio entediada de quase sempre errar, to até cansada pra tentar no mesmo. Dessa vez, nem sei...pode ser. Ja acertei quase todos os pontos desse quadro, mas...os dardos sempre caem, e eu sempre finjo estar tudo bem...talvez estivesse antes, mas agora, lembrando de tudo...Eu vou tentar. Quem sabe...dessa vez.Mas os pontos, os pontos também erram. E talvez também cansem de errar. É certo. Pode ser que eu nem chegue lá, mas certeza, to me divertindo tentando.



SEM TÍTULO



O desejo, o querer, e todo o mais sentimental...deixou-se levar por versinhos genuinamente vinicianos, sobre "todo grande amor" só ser bem grande "se for triste". Esqueceu do "eu saber, que você sabe que a distância não existe", e não deixou de lembrar do por isso..."meu amor, não tenha medo de sofrer pois todos os caminhos me encaminham pra você" - que poderia ser pra lá de utópico, assim como quase tudo que derivava das suas ilusões. Sonho algum tem razão de ser pra parar na mediocridade dos covardes, na falta de esperanças dos que preferem duvidar da pretensão. Utopia? Sempre, enquanto isso me mantiver viva sonhando, ou viver sonhando.









"MIERDA DE LA VIDA



Poisé. Ás vezes pareço frustrada, ate mal-humorada. Mas me irrita o fato de eu não poder fazer nada pra tentar mudar alguma coisa, e que tudo que faço, é em vão. Parece-me que não há nada pra fazer por pessoas como crianças tratadas como adultos em prol de um ideal ignorante, por pessoas que provavelmente foram usadaspor um motivos parecido ou simplesmente são más. Me sinto mal, por não poder oferecer à essas pessoas - humanos - um pouco mais do que elas merecem. E sinto até náuseas as vezes, das minhas boas coisas, e de todo meu conforto, por lembrar que nem todos tê direito à tanto. O que temos, apesar de não parecer, é muito. E ás vezes temos desejo de conhecer o mundo, de ter coisas caras e atuais; uma TV maior, um computador menor, um celular mais moderno e cheio de utilidades...Mas quando lembramos que esses fúteis desejos, não passam nem a existir, quanto mais a ser alimentados, por gente como nós, que só quer viver num lugar sem guerras, sem mortes infundadas, sem tando sangue e injustiça, sem tanta ambição. Gente que só quer ver a família unida, e ter a oportunidade de ver filhos tão dificilmente criados- ou nem isso - crescidos e fortes. Gente que só quer poder trabalhar em paz, sem precisar se preocupar se seu povo não vai ser vítima de uma chacina no dia seguinte, e que sonha em um dia poder dormir verdadeiramente tranqüilo, e poder sonhar com coisas mais superficiais como a reforma do teto da casa. É dificil lembrar de tudo isso, é verdade, eu mesmo esqueço - muitas vezes. Mas é mais dificil ainda quando lembramos. Não é isso qualquer demagogia, nem pretendo torná-la, não sou, nem pretendo ser um protótipo da hipocrisia capitalista iminentemente clara quando analisamos melhor a complexa e infeliz sociedade em que vivemos: sou ambiciosa, sou sim. Sonho em ter uma vida um pouquinho melhor, em ter tempo e dinheiro pra poder viajar fim do mês, ou até sair pra algum lugar legal no fim de semana, mas tenho sonhos simples como ver minha familia viva, e saudável. Acredito ainda, que a conversa de: "dinheiro não traz felicidade" é a maior mentira do universo, mas acredito mais ainda, que só ele não traz felicidade mesmo. Só ele, sem amor, sem honestidade, sem honra e dignidade, não vale nada, senão a amargura eterna de uma alma que não deixará lembrança alguma além da de horror, medo e ódio, daqueles que um dia tiveram suas vidas destruídas e suas existências condicionadas à uma triste e indiferente morte poética.Eu não tenho nada, mas 705.00 crianças, com menos de 10 anos, tiveram. Tiveram certa vez, na sofrida Africa, armas na mão, e não falo de faca, canivete, falo de metralhadoras. Tiveram drogas no sangue, cigarros e bebidas na mão, que juntas com cartas de baralho, constituiam a única coisa que fora resumida àquelas crianças: revolta e uma credibilidade adulta completamente falsa. Hoje, não há mais guerras, lá, em Serra Leoa, mas há no mundo inteiro, guerras abafadas por uma globalizãção egoísta que só dá atenção à cantora da moda, ao carro marombado, ao desfile do mês que vem, e à raquitização de corpos superficialmente felizes que sonham em algum dia estar nas passarelas. Hoje, não há mais guerra, mas ainda há 200.00 crianças-soldado na Africa. Na ÁFRICA.









HIPOCRISIAS SENTIMENTAIS



Se se eu disser que não foi nada de verdade?! Que o talvez não existe, e o quase não é quase tudo. E se eu disser que não me deixei levar por nada, e que foi tudo uma brincadeira?



E se eu continuar mentindo?



"MOÇA BONITA NÃO PAGA...MAS TAMBÉM NÃO LEVAA!"



Constatei uma coisa ao ler uma reportagem sobre a teoria de Darwin e suas vertentes. "A mulher, ao sair não pensa em transar com muitos, o homem pensa" (bom, não exatamente nessas palavras...), e, a partir daí, construi uma análise bastante interessante pra acabar de vez com a guerra dos sexos.A mulher é a consumidora, e por isso tem que escolher o melhor produto, aquele que aparenta melhor rendimento, que valerá mais a pena, e sairá mais em conta. (instintivamente, aquele que gerará melhores filhotes).O homem é só um produto, no meio de tantooos outros, que está lá pra aceitar qualquer consumidora que o escolha, e que o faça perpetuar a espécie. Lógico são produtos diferentes: têm forma, cores e utilidades variadas.A mulher, como um ser materialista -- afinal tinha que manter a casa em ordem, e estar bela pra receber o marido, quando este chegava cansado do trabalho - prende-se fácil àquele produto que considera o melhor. Portanto, a questão estabelecida sobre "homem é tudo igual" refere-se ao tipo geral dos homens, à sua condição de produto. E o único fato pelo qual escolhemos tanto é simples: qualquer individuo no mercado, com pouco dinheiro, precisa selecionar bem o produto(alimento) que vai comprar, pois sabe que tem de ser um dinheiro bem investido.E, mesmo sabendo que nenhuma porção de alimento conquistado com a renda disponível, valerá seu pouco e sagrado dinheirinho sabe que precisa escolher algo, e que tem que ser algo que valha a pena, por isso precisará de uma boa escolha. Mas sabe também que precisa daquele produto para sobrevivência. Assim é a relação dos sexos.Viu? As coisas são muito simples, as pessoas que as complicam...







BOLOSEARROZES



É como uma larga corrida contra nada, só medo. De parecer tão igual, tão metodicamente simples. Queria falar mais, mas ficam perdidas, as nossas palavras...ficam pelos alteres, pelas linhas de raciocínio daquele antigo caderno marrom...eu procuro...procuro nos baús, nos olhares, sorrisos, e armários...mas agora tudo que peço é que se afaste de todas as canções. Quando eu mais preciso, já não penso em desistir. Porque as pessoas andam rindo, o estado vai acabar e eu não sei...é só pensar que está tudo bem, nas falsidades que só não cometi com você. Eu sempre quis guiar esse jogo sujo e belo que criamos, e me enganei. Foi-se o tempo em que eu pensei nos dias que chegariam, agora só me lembro dos que nunca chegarão.



DROPS REI



Essa é a grande merda da vida: você nasce, e acha que ser 'grande' é o barato da humanidade, então você aprende a beber, a dançar, beijar...Ainda sente falta de alguma coisa. Está prestes a dar um destino à sua vida, e percebe que está com medo do tempo, pois ele está passando muito rápido, como sempre disseram que passaria. Ainda assim, você quer estar na faculdade, pois acredita que lá é bem melhor. Mas nunca é. Bem, é tão melhor quanto você achava que seria seus 11 anos quando se tinha 7, que seriam seus 14 aos 11. O fato é que sempre sentiremos saudades dos 4 quando nossa preocupação mais iminente era que sua irmã rasgasse ou estragasse seus brinquedos, ou que sua mãe fizesse um penteado horrível e lhe obrigasse a mostra-lo a toda familia. Sentiremos saudade de quando só precisávamos arrumar nossos quartos (a arrumação obviamente estava restrita á qualquer coisa bem menos que varrer e tirar pó dos móveis), de quando só precisávamos acordar ás 9 - ou nem isso- pra brincar no parque com alguns amigos. E sim, sentiremos falta dos amigos, pois eles continuarão a existir, mas jamais serão as mesmas pessoas. Saudade de quando fazíamos apresentações nos dias da mãe(fazendo-as chorar), e dos dias felizes em que não nos preocupávamos com que roupa vestir. Onde geralmente éramos verdadeiros, e mesmo depois de uma briga de areia voltávamos a conversar no dia seguinte. Sentiremos saudade até dos penteados das mães, dos uniformes largos e sintéticos, e das lancheiras rosas, verdes ou azuis que adorávamos usar. Sentiremos saudade das tardes que voltávamos do colégio no dia do estudante cheios de doces e chocolates, e nossos pais vinham em busca de nós, do boletim e de nossos inocentes e precários trabalhos escolares, ficando a conversar com as professoras que lhe diziam as verdades- geralmente boas- de nosso comportamento, enquanto brincávamos de pega-pega no pátio e voltávamos pra casa suados e com fome, onde um belo sanduiche e qualquer coisa pra beber nos era preparado com carinho. E, finalmente, sentimos medo, quando percebemos que todas essas coisas não voltarão (a não ser na vida de nossos prováveis filhos - ou não), quando percebemos que o tempo, a partir de agora, vai passar tão depressa quanto este, e que os anos passarão como passavam as horas no jardim de infância em que você não acreditava quando lhe diziam que era hora de ir embora. Sentimos medo, porque ninguém sabe nos responder como tudo vai ser e se estamos fazendo tudo certo, sentimos medo porque percebemos que logo nossas vidas vão depender apenas de nós mesmos, e que em breve, sua mãe não estará por perto para lhe dizer quem parece ser verdadeiro ou não, com quem você deve tomar cuidado, ou lhe ouvir quando você precisa lhe falar de uma velha amiga que parece distante. Você sente medo, porque não sabe como tudo termina, e não sabe se vai terminar como se quer. Será este um preço que pagamos por não valorizar as pequenas coisas? A maçã que minha mãe dava-me antes de ir pra "escolinha" era aceita, mas não era adorada como é hoje, porque agora é só saudade. Não sei do que vou me arrepender de não ter percebido o valor hoje, mas espero ser algo bem menor que uma maçã simplesmente aceita.









AMOR INCONDICIONAL



E amaram-se, diferente de como amam os amantes; ela, e seu alter-ego, aquela doce, singela, e Senhora Indiferença. Esquecendo-se daquele simpático e inválido Amor, riam-se, gozavam-se em suas luxúrias pecaminosas, riam-se daquelas mentiras amáveis que chamavam os outros tolos de verdades, mas que ambas gostavam de, vez ou outra, escutarem.



NOSTALGICA CONDIÇÃO



Pra quem você liga quando se embriaga? Por quem você chora quando não há ninguém? Quem você deseja com puro ardor? Quem, quem você quer, pra sempre, entregar o mais puro amor? Por quem você morreria, se não pudesse ter? De quem você fugiria, se não conseguisse se entregar? Quem você não trairia, se pudesse ter? Por quem você perderia seus verôes, seus meses de maio? Pra quem mais, depois de tanta dor, você daria o resto dos seus dias? Com quem você falaria sobre amor, se pudesse amar? De quem você fugiria, se pudesse ficar? Eu não sei se falaria se pudesse calar, mas eu não calaria se pudesse saber.



COISAS DE FU(CK)TEBO



L6 de maio de 2007O dia em que 11 pessoas estragaram o domingo de outras 15 mil.Porque foi assim que 15 mil pessoas se sentiram quando saíram do campo(do nossa campo por assim dizer, na nossa casa) com os gritos da torcida adversária festejando um título que era pra ser de um time que foi bem num campeonato todo, pra fazer idiotices numa final.Jogadores estes, que com exceção de poucos - como Fernandinho e Zé Carlos - não jogaram com raça, e não honram a grandiosidade da camiseta que usavam. O dia em que cometeram resquícios tão enfadonhos que desestimularam muitos a aplaudir ao fim do ato desastroso que foi tal partida de futebol. Agora é necessário torcer para que a próxima final seja uma repetição deste jogo de hoje, com uma diferença fundamental: ganhar. Porque só assim vou poder fazer o que estava com vontade hoje: __ Voltem pra ZONA de onde vocês saíram, seus viadinho filha da putaaaaaa









O SEM FIM DE COMEÇOS IMEMORÁVEIS



O acaso supriu a sedução e matou o desejo com o mais puro ardor. Mentiu pra verdade, e mostrou a face do pudor. Provocou, enlouqueceu...enganou o amor com as caras da atração e por ali parou. Traiu, amou, voltou. Quis o seco do beijo e o suado da dor...envenenou o perfume, e a realidade trouxe vontade inesquecível de auto-estima...Egoísta procurou. Afável, dizia ele, deixou-o. E o que chamava de amor os homens, não podia ela tê-lo. Quis querer, evitar suas caras e palavras fáceis. Jogou, sorriu. Seria o fim de todo um enredo sem glória, sem continuação...sem monotonias hostis. Findou todo o ruim, findou sagaz. E ruiu o tradicional. Simplesmente acabou. Ousou, fugiu. Lembrou do começo, do meio, mas não podia ter no fim o que os olhos surdos apontaram. Foi uma grande besteira, do início ao infinito, pensava o tempo todo. Foi uma grande loucura, do infinito ao infinito. Revelavam tudo o tempo todo. Choravam tudo todo o tempo, e era sempre no mesmo lugar. Inconsequentes, amantes...mas não, não traidores. Ele pediu, ela aceitou. Ele enganou, ela odiou, pediu de volta. Ele recusou. Ela pediu, ela aceitou. Ele pediu, ela aceitou. Ele- outro, pediu, ela recusou. Ele perguntou, ela admitiu, ele negou. Ele perguntou, ele respondeu. Ele chorou. Ele voltou, ela recusou. Foram os três serem felizes, ele arruinou, infeliz e nobre.



DESMUNDO



Suas mãos e seus braços, inertes à vontades. Seus olhos e sua face se revelam à falsas verdades: mostram o sol que arde toda tarde, independente de quem sofre. Mostram gestos e corpos, que à noite procuram alguma forma de carinho, e não encontram qualquer sonho, de menina ou de menino. Que procuram sem destino, sem achar e sem querer, na verdade um caminho, e se vêem num desastre. São suas próprias vidas, são os seus desejos, que se perdem na estrada, não refletem nos espelhos, são apenas os seus meios. São espectros perdidos meio à sombras sem direção. Não se sabe o que fazer, que ajuda procurar...Aí estão, todos os corpos, bem ali naquele chão, na sua cara, na sua frente, não vem fingir que não, com suas roupas estragadas, suas vidas só agora olhadas com compaixão, mas que antes, desestruturadas, e esquecidas por todo e qualquer meio de comunicação. Não eram crianças. Não eram carentes. Não tinham ninguém, nem mesmo parentes. Não sofreram. Não fizeram sofrer. Não amaram (é verdade), foi sem querer. Não foram amados. Não morreram de frio ou fome. Não eram homens, nem mulheres; garotos ou garotas. Só gente perdida em sonhos, (pesadelos) dos mais limpos aos mais imundos, de complexos submundos, dos mais belos aos piores, dos mais sujos aos melhores, dos mais tristes aos mais profundos.



TARDE NUM MÉIER



A angústia...esse café enrustido. Que coisa amarga sentir-se assim, tão só e feliz. Essa coisa de não conseguir, que chato isso. Dizer mais...seria talvez menos dificil, tão banal. Um tédio, e um prato de cansaço. Seria alívio...enclausurar tantos papéis de pensamento n'outras mentes, e tirar o peso de tudo. Menos estranho. Ah! Seria. Mas e a falta? A falta de coragem? Não, não, a falta não...O medo.O medo de ser fácil. A preguiça de ser igual.



IMAGINAÇÃO COMO FORMA DE MANIPULAR A REALIDADE?



A verdade é que qualquer um que queira um íntimo relacionamento comigo, vai ter que carregar consigo eu e mais outro. Outro além de mim, da minha vontade de não ter, de não pensar. Difcilmente algum homem eliminirá de vez o concorrente, e aceitará dividir pensamentos. Amores poéticos não morrem como os reais. Duram pra sempre, porque pensamentos e ilusões não podem ser corrompidos. Destruídos como quando um ou outro acontecimento destrói uma paixão. Quando algo existe somente na mente, há a probabilidade ilimitada de tudo acontecer como desejamos, com perfeição relativa. Como se quem desejamos aja exatamente da maneira como desejamos. Isso as torna especial, as torna diferente. Elas têm um lugar só delas, um lugar eterno.Não me arrependo de nada que fiz, de nada que deixei de fazer, nem do que um dia farei, ou deixei de fazer. O que pode acontecer é que tudo poderia ter acontecido de diversas maneiras, e eu, por não confiar no destino, preferi eu mesmo designa-las a caminhos menos cruéis; então, caso o caminho designado não fosse dos melhores, a culpa seria somente minha, uma culpa proposital. Essa é a única forma de preservar o imaginado e sua irrestrita perfeição, assim como o conhecimento: nada pode tocá-lo ou prejudica-lo pois é mais intenso que qualquer materialidade.









MEMORÁVEIS, APENAS...



Ainda que não haja amor, nem falta dele onde poderia haver excesso. Ainda que complexa a atitude de aceitar negando, que não se esvaia tudo que é profundo e verdadeiro. Porque...vamos, vamos ás alturas; vamos à conquista dos sóis...e dos dó...fá...mi.



FATALIDADES DO...AMOR (?)



Alimentava aquele amor, e tratava dele com carinho antes de dormir. Dava-lhe molde, forma, cores...consistência, uma certa perfeição relativa. Proporcionava-lhe momentos de luxúria, carinho, romantismo, e alguma paixão poética, verdade.Nas tardes de tédio em que alimentava o vão amor sentimental, comprovava os talentos gastronômicos a dois, usando de receitas de brigadeiro...alimento para o filme que veriam na divisão de um mesmo edredon.Nos domingos ensolarados, levava o tão grande e incompleto amor á sorveteria, e aos mais inusitados passeios, lugares onde, sempre, boas surpresas aconteciam.Já nos dias de aula, o amor se resumia em vistas ao fim da aula, no almoço que compartilhavam entre conversas ora sérias, doces, leves, amigas, e sempre, inusualmente atiçadoras.Já em encontros noturnos, alguns deles apenas, quando havia um, observavam o céu estrelado, e contemplavam o delicioso silêncio de não precisar dizer nada. A vida real continuava...conhecendo outros prováveis amores, apenas prováveis. Só havia, para ela, um amor o qual quisesse para a vida toda, mas esse, os caminhos tortos do destino cuidaram pra que findasse no baú das lembranças do que só poderia acontecer; mas que, como um caco de vidro que desvia a luz do sol, as pedras do caminhos acabaram por desviar as pegadas do desejo. Tanto, mas tanto, que jamais permitira que, somente um desejo, carnal, destruísse o eterno, verdadeiro, e tão grande amor (ainda que duramente platõnico). Possibilidades que mórbidas máscaras em dias de festa a fantasia dos sentimentos trataram de assustar e tanto magoar quem verdadeiramente lhe quis, e, lhes deixando apenas no baú das possibilidades ignoradas, ela ia seguindo seu trajeto.Afinal, a única possibilidade era realmente única, no entanto, aparente, e evidentemente impossível, pois os tratos do destino amarguradamente teimaram com o "im".









LIBERDADE ALÉM DO QUE SE VÊ



Ser livre não se limita aos clichesismos. antes de ser livre para o mundo, se há de ser livre para a própria alma. A liberdade que mora dentro de nós é mais importante que qualquer outra: quem a tem, jamais a perderá. A mais intensa liberdade é a que não se pode tocar ou ver, mas a que só é possível sentir...ela está na capacidade individual de viver em outros mundos, ver outras cores, situações e pessoas...tudo sem sair do lugar. ser livre, é estar algemado e ainda assim ter imaginação o suficiente para voar e explorar o mundo com um passaro, em habitar corpos e ambientes como o amor. liberdade é poder sentir a brisa doce da infancia quando se é adulto, e poder ouvir o som de um olhar. É ter sensibilidade o bastante pra sentir-se pisando na areia fina da praia, e molhar as pernas num mar inexistente. é poder correr...apenas com o poder da mente, e ter coragem de cair porque sabe que se caiu é porque tentou. a liverdade é sempre mais ou menos do que queremos e devemos ser livres na nossa própria essência. liberto é quem sabe que: grande e nobre é viver simplesmente ainda que a resposta esteja além dos deuses.









ESTRELAS TRISTES



Eu nao quero mais viver sem você; eu não quero ter cem anos de paz se significa eu te perder. Você se arriscou, abandonou seu amor, disse que ser meu não lhe adiantava (e nunca mais voltou). Queria mostrar a luz que emanava ao resto do mundo, e não te importava se isso tapasse as minhas estrelas. Desenhou uma flor, criou seu próprio jardim, iluminou com o olhar e fez todos querem aquilo que, um dia, jurou ser só meu. Ainda assim, insisto: vou ser pra sempre só sua, e se precisar; caso um dia quiser, te dou meu calor. Agora não peça(compreensão), não se despeça, fique, por favor, enfrente o mundo; me dê dois minutos: vou te provar meu amor. Porque eu não quero mais viver sem você, eu não quero ter cem anos de paz se significa eu te perder...





PELOS AUTOS



Ah...vou. Hoje morrerei de ócio, e viver como ontem não viveria. Ver fantasmas cavalgarem pensamentos, equilibristas, no alto...não. Já não me importo...Revolução nos equinócios. Padecer de todos, todos os capadócios...não, não, jamais será. Em todas as fontes respirar a vontade de negar, o desafio de não ter. Talvez...mais que isso, muito mais forte, mais intenso. Talvez...não poder. Habita todas as minhas sedes, devora todos os meus desejos, essa previsão de estrago sobre tudo que já é especial, que pode deixar de sê-lo, sucumbir de um sonho ver realizar-se. Só, e muito mais que isso. Ninguém...ninguém poderá ser melhor. Niguém suportará perder. Não sou única, não sou só eu. Somos dois, pra sempre, até que tudo termine. Mas é mais que isso, é além. Ninguém rouba ou estraga as obras da mente...só nós poderemos meu amor. Só nos perderemos de amor. Mas eu não agora,vamos nos atrasar. Fiquemos aqui, no conforto de nossas belezas, pra morrermos, morrer mais que isso. Além.



QUARTA A NOITE ARRUME SEU ARMÁRIO



Aquele olhar, o abraço, dores de cabeça...uma linha tênue entre o amargo e salgado, tudo tão gozado. Estava lá, em cada minuto, mas não, não eram minutos meus. Vou um terço de vezes saber sobre lembranças infantis. Da rua, as gentes...banalmente impessoais. Ah...voltar. Mas é estranho agora, essas coisas incaptáveis, da corrida contra o tudo. Estranho, e bom tão de repente...louca sensação, por favor, me deixa ser em paz. É só medo...de parecer tão sem razão, tão igual. Mas as palavras ficam perdidas, perdidas em algum bobo lugar, em linhas tolas de raciocínio, ou naquele velho diário marrom...posso procurar nos dósolremifa de todas as melodias...nos agudos e graves timbres, em todos os dentes, de todos os sorrisos que por qualquer motivo encantarem, posso olhar nos armários, ou por baixo dos baús...Seria minha garantia, de saber que você saberá. Eu deixaria tudo lá, e é só queimar se não quiser.



INDECIFRÁVEL EXATAS



Gostaria de lhe dizer que o que mais odeio em você é seu ar de mistério, que me impede de te entender, eu tento, tento, tento...Mas não adianta, você não se abre. Você é muito complicada querida, quando vem com equações gigantes exigindo resolução.O que me irrita é essa sua soberba de se achar a mais importante, e a base de todas as coisas.O que me irrita é sua ousadia de subestimar o poder da linguagem e da escrita, e de desdenhar a importancia de tal ciencia, arte.







ASSIM SENDO, ASCENDO



Uma matéria, orgânica, inorgânica às vezes. Amargurada, quase apodrecida. Uma coisa que sente saudade - feita de tristeza e arrependimentos necessários -que nunca se esvaem. Uma coisa qualquer que se perde nos mistérios dos corações, já pousados n'um terror disfarçadode conformismo.Uma coragem inexistente escondendo uma aceitação inaceitável. Uma falta de hipocrisia baseada apenas na desculpa do que não foi. Explicações, infinitas, e inacreditáveis ,que se prolongam por intermináveis pensamentos de gesso...Um gesso que se quebra, se racha todo ao mais brusco sentimento do nunca mais. Uma madeira qualquer, devorada por cupins de um amor não amado. Papéis brancos, levemente rascunhados, esquecidos, traçados por um bicho tão tragicamente natural quanto traças...Cacos, assim, de vidro, de acrílico, que não cortam, não sangram. Pior. Cacos, devastos, mais.



PORQUE SINCERIDADE...



Vou ser sincera. Não faço o tipo "sou pra casar", saio sozinha, traio facilmente, e raramente me importo. Não sonho ter quatro filhos e um cachorro, nem casar na igreja, também não me apego à paixões frívolas. Dificilmente dou meu número p'rum cara que beijei numa noite, e se dou, não espero que ele ligue; ele geralmente liga. Vou ser sincera; Prezo minha liberdade mais que qualquer coisa, também é verdade, que quando chega a noite, percebo o quão sou sozinha, e é por um só cara que me perco durante algumas horas nos meus próprios pensamentos. Um cara pelo qual, secretamente, eu desejaria - e seria - a melhor mulher do mundo. Por ele eu faria de tudo pra fazer bem, deixaria de querer qualquer outro. E ele não sabe, porque sou também covarde. Passo maior parte do tempo dizendo que não vou correr atrás, me escondendo atrás de um conformismo vergonhoso. Minhas fugas, minhas friezas...não têm justificação, mas uma coisa eu garanto: eu não o trataria tão indiferentemente se o que eu mais quisesse era tê-lo simplesmente, como qualquer outro. Se assim o trato, é que tenho medo de me entregar a quem eu verdadeiramente desejo pra sempre. Vou ser sincera: Ajo grosseiramente pra disfarçar, mas daqui há 30 anos, vou pensar nele tal qual penso hoje. Porque podem se passar mais...50, 70. E eu vou continuar pensando. Talvez isso faça dos amores eternos. Essa entrega do desejo em prol de um sentimento que não cabe, e quem tem medo de ser conhecido. Vou ser sincera: procuro afagar meus desejos em outras bocas - fugazes, amargas, doces até - beijos em tédio, ou de apenas libido, mas que se esquece, e se torna inútil no dia seguinte. Bocas que dizem, dizem coisas...besteiras, bobagens ridiculas. Bocas que dizem coisas, coisas que eu queria ouvir de outra boca.







TRIBUNAL DAS COISAS QUE ESQUECEMOS



Juiz da própria vida, desejo do próprio ardor. Ela ia vivendo, sempre achando que aquilo era morte. Não mentiu, não negou, não calou. Frieza da própria dor ela ia deixando pra lá. Efêmera, confusa. Foi com o calor de um fantasma que viveu o que chamou amor. Passou outro romance, outra traição – dela mesma. Ali, naquele quarto, quis findar, com as cinzas todas d’um passado pérfido e de um eterno rancor. Amarga, pensou enlouquecer, embriagou. Se arrependeu durante os dias que não passaram, e todo dia se arrependia de sempre se arrepender. E pensar que tudo começou com um romance fugaz, que não terminou. Blasfemica e doentiamente sonhou ter-se atirado pela janela, fugindo simplesmente desse jogo cinza de sedução. Mas não a ela, uma outra, uma que foi-se anos atrás. Tocou a face macia do mundano e a alma do amor. Tateou levemente nas ancas do pudor miserável e se viu perdida na rua ladrilhal, reta, fria, concreta e áspera; como ela um pouco. Sofreu as faltas do famigerado condor, amarguras que rapinava com cuidado suas falsas e secas lágrimas de dor. E cega, anoiteceu as verdades da vida. Ele, já surdo de arrependimento, aceitou. Ela, muda de mentiras, padeceu. Ricos de ilustres marcas culminaram seus próprios fins.



PALADRAS



Pra quem sabe...Quem sabe? Ninguem quer saber. Mas é o fim. Verdade. Nada de mentira. E também, nada a menos. Nada novo. Nada velho. Nada feio, nada belo. Não espere verdades. Não espere cansaço. Não espere sorrisos. Muito menos lágrimas. Posso não chorar, posso não sorrir.Posso nunca amar. Eu POSSO.



Mas eu sempre prefiro tudo ao contrário.





(IN)CONFIDÊNCIAS



Tudo bem, do que eu estou falando? Isso não importa mesmo, eu só não aguento mais. Por isso o ódio. Eu só não consigo deixar pra lá, por isso o ódio. Eu gosto de pensar. Por isso o amor. Mas e daí?! Quem sabe acabou. Quem sabe nunca começoude verdade. Mas eu não aguento mais. Não por ser bom, não por ser um vício. Mas porque eu não consigo mais jogar tudo pro alto (ou não quero). Porque é melhor ter em quem pensar. É melhor ter alguém. Mesmo que só antes de dormir, só nas horas de tédio e sono. Mesmo que seja só pra sonhar um pouquinho. Mesmo que não seja ninguém.







ABANDONOS (COVARDEMENTE) SENTIMENTAIS



É a tradução dos meus sentidos e a traição do meu amor, do meu próprio amor próprio. Eu não diria tudo se nada amasse. Eu não te entregaria tanto, se pouco quisesse. Não fugiria muito, se não desejasse tanto ficar. Não calaria se não sonhasse falar. Eu não beijaria tão pouco, se não quisesse tanto beijar. Não sentiria mais que muito, se o que eu mais quisesse era nada sentir.
Mas foi tudo: a vontade de guria, de me enganar...Foi a vontade de não doer que doeu.
Foram as falsas linhas desse caderno preenchidas que me fizeram rasgar por inteira minha alma, sem fúria, apenas sagaz, cruelmente espectral, eternamente dúbia.
O desenho no lençol entregava a aflição e a ansiedade daquele corpo efêmero e ambíguo, no qual se encontrava toda minha indiferença, sólida, fraca...até num instante qualquer.
Tapete dobrado, a luz, desastradamente acesa, e o vidro, e as janelas escancaradamente abertas, bem como sua vida, e sua alma dilacerada, mas sóbria.
Tudo refletia a felicidade amarga daquela noite...
Os movimentos, as caras, letras tortas espalhadas sem ritmo pelo papel sujo, revelavam a mais confusa personalidade, escondendo as mais sórdidas e puras emoções.
E os livros? Espalhados todos pelo chão? Besteiras...leria algum, algum pobre dia?
Precisava de mais, do vício, prazer. Precisava beijo, amor. Só.Entretanto, não pensava na harmonia, nem na mediocridade das vidas comuns. Queria mais...Aventura, loucura...tristemente imaginadas, consentidas como a única forma de vida.



CEMITÉRIO DAS GLÓRIAS IRREAIS



Dos cadáveres que me deixaram, poucos sorrisos, secas lágrimas, alguns sonhos quiçá...Sobraram. Reinaram sóis, amargos. Da desnuda imagem que formara tem-se claramente meras verdades, amigos de poucos anos. Se foram todos. Levados pelo tempo ou integridade quaisquer. Das saudades que restaram, alguns momentos, algumas paixões, vãs quem sabe, mas somente um amor; que nunca se fez real, nem contente, nem completo. Esteve sempre preso ao temor do estrago, à vontade do platonicamente perfeito, intensamente relacionado com as impossibilidades desenhadas por trágicos destinos. Nada do que fiz teve sentido completo, ou claro. A obscuridade, sem querer, sempre me fascinou. O eterno sempre revelou seu desejo de se revelar nas eternas lembranças, somente.





FUGAZES DESTINOS



Procurei sucesso, encontrei. Procurei conforto,conquistei. Procurei pelos meus objetivos mais materiais, dos sonhos, os mais fúteis, ambiciosamente egoístas, humanos. Deixei sempre os desejos mais insanos p'rum depois sem começo. Esqueci, talvez, de construí-lo na ordem cronógica, desconexamente particular, do espaço, só. O tempo, nunca passou. Só o concreto não abandona. O cruelmente abstrato é tudo que não ousei transformar; entretanto, só o concreto, só o concreto me manterá, me acompanhará. Ele não tem vontade ou orgulho, não tem paciência, nem impaciência...carências ou ciúmes; não tem emoções, tem nada. Só ele restará pro fim, pro nada.





FELIÇANÇA OU ESPERANCIDADE?



Ando com a incrível e solene leveza de quem é feliz. Mas é uma felicidade estranha, diferente de todas. Uma felicidade sublime. Estou o dia todo pensando nisso. Depois de uma conversa – que virou quase rotineira – com meu namorado sobre o fato de eu ir embora dessa cidade no fim do ano, senti uma vontade avassaladora de sorrir, deitar na minha rede, pegar um dos livros separados, ouvir qualquer música, e ficar assim, acariciando minha felicidade. E é estranho, porque acho que era pra estar tudo errado. Tenho me esforçado pra entender isso desde o momento que sentei na rede e percebi que o vento, o livro, e música estavam em completa harmonia com minha sensação. O livro era de contos, e logo o primeiro mostrava como seriam os outros: um final nem certo, nem errado, nem moral, nem amoral, simplesmente humano. Para todos os personagens, de todos os contos, tudo parecia estar saindo errado, mas no fim, todos encontraram medidas duvidosas que solucionaram os problemas. A música, uma cantora deliciosamente decadente. O vento, bagunçando as idéias que eu insistia em montar, dava mais naturalidade à elas. Ainda confusa, e escrevendo para um outro blog, depois da terceira desligada involuntária do meu computador, resolvi comer alguma coisa na cozinha. E entendi tudo. O que estou sentindo é esperança. E acho que é a primeira vez na vida que entendi o que ela de fato representa. Não tem nada a ver com pensar positivo, com esperar o melhor das coisas. Não é um sentimento opcional, mas permanente. As pessoas não escolhem ter esperança, elas simplesmente ficam esperançosas. É um estado que complementa a felicidade, sendo tão complexo quanto essa. Uma confortabilidade gigante, um sentimento delicioso de alegria. Um aconchego curioso em estar sozinha e em silêncio dentro de casa, e ter a sensação de que tudo está no lugar que deveria estar. Quando sentir isso, saiba, é esperança. Ou você acaba de saber que é feliz, ou você está prestes a chegar nessa conclusão.